Página Principal
 

BEPELI

Educação,
Arte e Cultura

E-mails:

bepeli@bepeli.com.br
arte@bepeli.com.br


www.bepeli.com.br


Renascentismo
As Sete Maravilhas do Mundo Antigo
Galeria Bepeli de Artes
Patrocinadores

Buraco Negro

FISICOS CONSEGUEM “DESPIR” BURACO NEGRO

Uma dupla  de físicos brasileiros conseguiu demonstrar como é possível “despir” um buraco para revelar o que há dentro deste estranho tipo de objeto cósmico .
   Usando um conceito de física quântica, George Matsas e André da Silva do Instituto de Física  Teórica da Unesp, elaboraram um modelo matemático que elimina a “fronteira do buraco negro”, o limite de aproximação a partir do qual não se pode escapar de sua atração. O objeto descrito em estudo na revista “Phisical Review Letters”, porém é de uma classe especial.
   Um buraco negro convencional pode se formar a partir de um colapso de uma estrela, quando ocorre uma concentração colossal de matéria no espaço de um só ponto chamado”singularidade” . Sua força gravitacional é tão grande que nada, nem mesmo a luz, consegue escapar da fronteira batizada de “horizonte de e eventos “pelos  físicos .
   O que Matsas e Silva descrevem,contudo,é o que os físicos chamam de “singularidade nua”, um buraco negro sem horizonte, Em tese energia e matéria podem escapar dos seus arredores e, portanto, a singularidade seria observável. Para chegar ao resultado, porém, os físicos tiveram que resolver um problema imposto pela teoria da relatividade geral, de Einstein, que explica a gravidade.

Física fora da lei
“Nós chamamos de singularidade aquilo no qual as equações da natureza quebram,  o que é uma situação muito ruim, porque nós físicos acreditamos que tudo pode ser matematizado”, diz Matsas. “Mas quão ruim é ter uma singularidade na relatividade geral? Se ela estiver dentro de um horizonte de eventos, em principio, tudo bem, porque mesmo que não se saiba descrevê-la , isto não influencia  o resto do universo, já que nada pode escapar de dentro ( da fronteira do buraco ).
   Há problemas, porém , em recorrer à r a relatividade para  analisar o problema. Uma vez que a singularidade é um ponto infinitamente pequeno, há fenômenos nos buracos negros que só podem ser elucidados , pelas equações  da mecânica quântica , teoria que explica o mundo das partículas elementares.
   Acontece que a relatividade e a mecânica quântica são teorias incompatíveis entre si. E a maneira com que os físicos concebem uma singularidade nua é essencialmente relativística.
   Um buraco negro pode perder seu horizonte de eventosao entrar em rotação com velocidade grande o suficiente para “expulsa-lo” por meio da força centrífuga – a mesma força que atira uma criança para fora de um carrossel. Mas as equações de Einstein impedem que um objeto entre em um buraco negro com velocidade grande o suficiente para aumentarsua rotação e expor sua singularidade.

Barreira energética
Na pratica, o que acontece, é que uma partícula teria que romper uma espécie de “barreira energética” intransponível antes de contribuir para que a rotação do buraconegroultrapasse o limite que o transformaria em singularidade nua.
   Analisando o problema do ponto de vista quântico, porém Matsas e Silva conseguiram fazer – em teoria, diga-se logo – com que partículas entrassem no buraco negro por meio de um efeito chamado “tunelamento”. É um fenômeno conhecido na física quântica, no qual uma partícula pode atravessar uma barreira energética tomando uma espécie de atalho, desaparecendo de um lado e aparecendo do outro. Não é nenhuma mágica, diz Matsas”o tunelamento é muito comum em situações microscópicas, só ficam mais improváveis nas macroscópicas”.
   Com o trabalho, os brasileiros procuram contribuir para superar o maior desafio atual da física:  unificar a mecânica quântica e a relatividade geral de uma teoria só. Pode a descoberta ajudar nesta meta? “Pode ser que sim, mas não é garantido diz Matsas.

Extraído do caderno ciências  da  FOLHA DE SÃO PAULO www.folha.com.br
Quinta feira, dia 15 de novembro de 2007
<< PÁGINA PRINCIPAL

 

<< PÁGINA PRINCIPAL