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PAÍSES DA AMÉRICA DO SUL
História e Geografia

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Chile
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Localização Geográfica

Chile, encerrado entre a cordilheira dos Andes e o Oceano Pacífico, é uma faixa de terra de 4.200 quilômetros de longitude com um promédio de menos de 200 quilômetros de largura. Abrange uma superfície do tamanho da França e tem uma grande variedade de paisagens: cumes andinos, vulcães coroados de neve, vales, desertos, fiordos, glaciares, lagos e praias.
A finais do sçeculo XIX foi só quando alcançou Chile seus limites atuais, a exrtenderse desde a cidade de Arica, no norte, até o Cabo de Hornos, no sul. Além disso, possui as Ilhas de Rapanui (Ilha de Páscoa) e Juan Fernández no Pacífico. Limita-se ao norte pelo Peru, ao sul pelo Polo, ao leste pela Bolívia e ao oeste com o Oceano Pacífico.
A terra firme tem divisões geográficas bem definidas. No norte, o grande Deserto de Atacama a extenderse 1.000 quilômetros desde a fronteira peruana até o centro do Chile. Mais para o sul, desde as imediações de Copiapó, o deserto cede ante sobrais e bosques, qie tornam-se mais entupidos na media que aproxima-se o centro e as chuvas aumentam. Nesta zona de transição fica Santiago, a capital, com quase um terço da população total do país. Nesta região se encontra o primeiro porto do Chile, Valparaíso. O vale central é a principal zona granjeira do país, ideal para hortas, vinhedos, o cultivo de cereais e a criação de gado.
O vale central do Chile começa na cidade de San Felipe. Esta zona fértil contêm perto do 70% da população total do país. Nesta região encontra-se Santiago, a capital, com quase um terço da população do país, e Valparaíso, o primeiro porto do Chile. O vale central é a principal zona granjeira do país, ideal para as hortas, os vinhedos e a criação de gado.
Mais para o sul aparece a chamada região do Bio Bio, a grande fronteira chilena de antanho, o lar dos indígenas mapuches e hoje zona de cereais e pastos. Embora seja acima de tudo uma zona rural, a maior parte da população mora nos centros urbanos, destacando Temuco e Concepción.
Para o sul do rio Toltén encontra-se o magnífico Distrito dos Lagos, maravilhosa paisagem de lagos e vulcões ativos coroados de neve. Ao sul de Porto Montt encontra-se o 30% do território chileno, povoado por pequena por centagem da população. A zona tem canais, lagos, ilhas e montanhas, com pradarias onde floresce grande indústria ovina. É terra de chuvas, tormentas e duros invernos. A maior ilha do Chile, Chiloé, alberga bosques entupidos e numerosas granjas pequenas.
Mais para o sul, a costa da Patagónia Chilena, um belo labirinto de fiordos onde grandes glaciares resvalam montanha abaixo para se prepcipitar no mar. A cidade mais meridional do país, Punta Arenas, fica no Estreito de Magallanes. Na margem contrária está a Terra do Fogo, dividida entre Chile e Argentina, onde as principais indústrias são a extração do petróleo e a criação de ovinos. A Ilha de Navarino, separada da Terra do Fogo pelo Canal de Beagle, alberga Puerto Williams, o assentamento permanente mais meridional do mundo. O famoso Cabo de Hornos fica em uma das ermas ilhas mais para o sul.


Flora e Fauna

Os desertos do norte do Chile e as estepas de grande altitude, as imensas montanhas, os bosques antárticos e a extensa costa marítima possuim uma fauna e flora particulares, não familiar para a maioria dos visitantes, pelo menos aos do hemisfério norte. Para porteger esrtes entornos, a Corporação Florestal do Chile (CONAF) administra um amplo sistema de Parques Nacionais.
Para muitos, os Parques Nacionais do Chile são uma das principais razões para visitar o país. Um dos primeiros Parques Nacionales da Hispano América, de meados de 1920, foi o Parque Nacional Vicente Pérez Rosales no Distrito dos Lagos. Desde então o Estado tem criado muitos outros Parques e Reservas, administradas por CONAF, a maioria na Região Andina, mas não exclusivamente. Os parques mais importantes são so seguintes:

Parque Nacional Lauca

No norte da região de Tarapacá, ao leste da cidade de Arica, este parque de 138.000 hectares oferece extraordinárias atrações naturais, incluindo vulcões ativos e dormidos, lagos de águas azuis com abundante vida ornitológica e amplas planícies, refúgio de forescentes populações de vicunhas. Existem outras duas áreas protegidas adjantestes ao parque, muinos menos acesíveis, como as chamadas Reserva Nacional as Vicuñas e o Monumento Nacional Salar de Surire, onde aninham gigantescas colônias de flamingos.

Parque Nacional Pan de Azúcar

Estabelecido na costa desértica de Antofagasta e Atacama, pero da cidade de charañal, este parque de 43.000 hectares possui uma flora única na sua íngreme mas bela linha costeira, albergando principalmente pleicanos, lontras, pinguins e leões marinhos.


Parque Nacional de Rapa Nui

3.700 quilômetros ao oeste de Valparaíso fica Rapa Nui (nombe polinésio da Ilha de Páscoa) com suas gigantescas e enigmáticas estátuas. Apesar da distáncia é um dos detinos mais visitados do Chile.


Parque Nacional Volcán Isluga

Fica a 210 quilômetros de Iquique pelo caminho Iquique-Huara-Colchane. Rodeado de povoados como Mucomucone, Vilacoyo (com tradições da cultura aymara) e Isluga, cujo centro é a igreja construida no século XVI. Em toda a zona podem-se observar camélidos e emas.

Bosque Fray Jorge

Fica a 110 quilômetros ao sul de a Serena. Bosque úmido com árvores de folhas grandes, cipós e espécies parecidas às do sul do país. Quanto à fauna, pode-se observar raposas e grande variedade de aves como nambús, loicas e águias.


Arquipélago de Juan Fernández

Fica a 650 quilômetros das costas chilenas, frente à região de Valparaíso. Conformado por três ilhas: Robinson Crusoé, Santa Clara e Alejandro Selkirk. É um dos lugares de maior interesse botânico do mundo, por possuir flora endêmica e flora nativa, como o lobo e o beija-flor vermelho de J. Fernández, um património científico. Conserva a categoria de Reserva Muindial da Biosfera.


Parque Nacional Vicente Pérez Rosales

Fica a 82 quilômetros de Puerto Montt.
Destacam os Saltos de Petrohué, onde existe um Sendero de Interpretação e o Lago de Todos os Santos ou Esmeralda, cuja navegação conduz a Peulla (perto da fronteira com a Argentina).


Parque Nacional Queulat

Fica a 70 quilômetros de Coihaique pela Estrada Austral.
Contém no seu interior a ventiosca dependurada com o mesmo nome, o Lago Risopatrón e a Lagoa Témpanos. Alí é possível observar o menor cervo do mundo: o pudu.
Fonte: www.rumbo.com.br


Geografia do Chile

Santiago
Santiago

O Egito recebeu a denominação de "a dádiva do Nilo" a milênios. Baseado no mesmo raciocínio, o Chile merece o apelido de "a dádiva do Pacífico e dos Andes", por causa da grande influência que estes dois acidentes geográficos têm em seu clima, geologia, história, economia e cultura. Apesar de ser um dos países mais "compridos" do mundo, com uma extensão superior a 4 mil quilômetros no sentido norte-sul, nenhum lugar desta nação dista mais de 80 quilômetros ou da Cordilheira ou do Oceano.


Atacama
Atacama

Devido à sua geografia única, o Chile tem uma grande variedade de paisagens: no norte está o deserto mais árido do mundo, o Atacama; no sul, os gelados fiordes, lagos, pampas e montanhas da Patagônia; e entre os dois, uma zona de clima mediterrâneo, onde se concentra a maior parte da população. Com toda esta abundância de cenários, não surpreende que a maioria dos visitantes venha ao Chile em busca de sua natureza intocada, ou para a prática de esportes de aventura - e todos voltam para casa fascinados com o que encontram.


Valparaíso
Valparaíso

No entanto, o Chile é muito mais do que paisagens deslumbrantes: é também uma das economias mais desenvolvidas da América Latina, e oferece à sua população bons serviços públicos e uma elevada qualidade de vida, quando comparado à situação precária da maioria dos países vizinhos. As cidades são organizadas e agradáveis, e os seus habitantes orgulhosos de preservar o passado europeu e indígena, e por isso muitas delas merecem uma visita.
Fonte: www.odysseysouthamerica.com.br

Geografia do Chile

Mapa do Chile
Mapa do Chile

O Chile é um país situado na América do Sul, localizando-se entre o oceano Pacífico, Argentina, Bolívia e Peru. A forma territorial do país é certamente uma das mais incomuns do planeta. Do norte ao sul, o Chile se estende por 4 270 quilômetros, ao passo que entre leste e oeste estende-se por 177 quilômetros. No mapa, o Chile aparece como uma longa faixa que se estende do meio da costa oeste da América do Sul até o extremo meridional do continente, onde se curva levemente a leste. Cabo Horn, o ponto mais ao sul das Américas, onde o oceano Atlântico e Pacífico se encontram, é território chileno. Seus vizinhos do norte são Peru e Bolívia, e a fronteira com a Argentina, a leste, estendendo-se por 5 150 quilômetros, é uma das mais longas do mundo.
A geografia do Chile é extremamente distinta, visto a abrangência de diversas latitudes em seu território, o que lhe confere diferentes tipos de clima, vegetação e distribuição populacional. Ao passo que, ao norte, encontra-se o mais árido deserto do planeta (Atacama), ao sul encontram-se geladas florestas úmidas, na chamada Patagônia Chilena. Toda a fronteira com a Argentina é acompanhada pela Cordilheira dos Andes, o que faz com que grande parte dos rios do país sejam de regime nival.
O país está localizado sobre a placa tectônica de Nazca, muito ativa, o que ocasiona violentos terremotos e maremotos - inclusive o maior terremoto já registrado na história, que atingiu 9,5 graus na escala Richter na região de Valdivia, em 1960. O sismo deu origem a ondas de 10 metros de altura, destruindo toda a costa próxima da ilha de Chiloé. Ao passo que, a leste, o país é serpenteado pela Cordilheira dos Andes, sua costa apresenta um grande declive, tendo o oceano Pacífico, mesmo próximo ao litoral, grandes profundidades - o que nada mais é do que um reflexo da grande atividade sísmica ao longo da costa, fruto dos constantes choques da Placa de Nazca com a Placa Sul-americana .
A corrente marítima de Humboldt percorre toda a costa chilena. De águas frias, move-se até ao norte, ativada pelo regime de vento predominante na borda oriental do anti-ciclone subtropical do Pacífico. Tal corrente modifica as temperaturas no norte do país, fazendo com que sejam mais frias do que corresponde a latitude do local.

Dados Geopolíticos

A capital chilena, Santiago, localiza-se na zona central do país e concentra cerca de 40% da população - cerca de 5,8 milhões de habitantes. A sede do poder legislativo está localizada em Valparaíso, que também tem um dos mais importantes portos do país, junto aos de Iquique e Antofagasta, ao norte, responsáveis pela exportação de cobre. Outras importantes cidades do país são Viña del Mar, Puerto Montt e Temuco.
Também pertence ao país um dos locais mais isolados do mundo, a Ilha de Páscoa, também conhecida como Rapa Nui entre os nativos.


Dados Geofísicos

Área

Total: 756.950 km²
Terra: 748.800 km²
Água: 8.150 km²

Fronteiras

Total: 6,171 km
Países Fronteiriços: Argentina 5.150 km, Bolívia 861 km, Peru 160 km
Linha Costeira: 6,435 km

Pontos Culminantes

Ponto mais baixo: 0m, Oceano Pacífico
Ponto mais alto: 6.880m, Ojos del Salado
Fonte: pt.wikipedia.org

História

Os Três Terços

Apesar das tentativas do Bloqueio de Saneamento Democrático, a forte decepção que produziu o populismo de Ibáñez na população permitiu a vitória do independente de direita Jorge Alessandri, filho de Arturo Alessandri, nas eleições presidenciais de 1958. Alessandri obteve cerca de 31,6%. Salvador Allende, como candidato da Frente de Ação Popular (FRAP) - aliança de esquerda - obteve 28,9%, enquanto o democrata cristão Eduardo Frei Montalva conseguiu 20,7%. Nesta eleição, o Partido Radical (cujo candidato Luis Bossay só obteve 15%) começa a perder protagonismo ante a conformação de um sistema político conhecido como "Os Três Terços" (a direita, a democracia cristã e a esquerda), e que perdurará por 15 anos. Devido ao fato de nenhum candidato ter alcançado a maioria absoluta, o Congresso teve que eleger o presidente, dando ao candidato da direita o cargo.
O engenheiro Alessandri decide pôr em prática um plano de estabilização econômica, centrado fundamentalmente na luta contra a inflação. Devido a seu caráter sóbrio e técnico, muitas de suas medidas não são populares. A idéia de Alessandri é criar um Estado que tenha a infra-estrutura para incentivar o investimento privado, deixando a idéia do "Estado Paternalista". Para tanto, deixa-se assessorar por muitos especialistas na matéria, muitos dos quais eram independentes, o que provoca certos atritos com os partidos que o apoiavam.
Durante seu governo, Alessandri teve que enfrentar os efeitos dos catastróficos terremoto e maremoto dos dias 21 de maio de 1960, com epicentro em Concepción, e 22 de maio de 1960, com epicentro em Valdivia, mas que arrasou com todos os povoados entre Chillán e Chiloé, sendo o movimento sísmico de maior intensidade registrado na história da humanidade, com 9,5 graus de magnitude na escala Richter. Estima-se que a reparação dos sinistros custou mais de 422 milhões de dólares. Apesar disso, o país vivia um momento de júbilo, com a celebração da Copa Mundial de Futebol de 1962.
Em sua gestão criou as empresas estatais Entel Chile, Enami e Ladeco, e tentou conseguir ajuda econômica estadunidense através da Aliança para o Progresso. Ademais, começa-se a materializar o projeto de reforma agrária que Alessandri via como uma forma de otimizar a exploração da terra. Este consistia em redistribuir as terras do Estado, não interferindo nos terrenos dos grandes lafundiários.
Ao se aproximarem as eleições de 1964, a Guerra Fria estava no auge e o crescimento do socialismo de Allende parecia inevitável. É assim que a figura de Eduardo Frei Montalva emerge como forma de deter a FRAP. Com seu lema de "Revolução em Liberdade", Frei consegue somar aliados a seu projeto de reformas profundas no país, sem o submeter à influência soviética, como supostamente faria Allende. Em dois anos, o Partido Democrata Cristão do Chile converte-se na principal referência política dos anos 60.
A luta entre Allendre, Frei e o candidato da Frente Democrática, Julio Durán, é praticamente voto a voto. Porém um fato conhecido como "Naranjazo" mudaria completamente o destino da eleição. A morte do deputado socialista por Curicó, Óscar Naranjo, permitiu a realização de uma eleição complementar, prévia da presidencial, e que foi utilizada por todos os partidos como uma prévia da eleição do 4 de setembro. Nesta eleição, o filho do falecido, também socialista, obteve 39,2% dos votos, frente a 32,5% da Frente Democrática e 27,7% do Partido Democrata Cristão.
Atemorizados com uma possível vitória de Allendre, os partidários da direita apóiam massivamente Frei, o qual ademais receberia apoio do governo dos Estados Unidos. A marcha da Pátria Jovem, organizada para apoiar a candidatura de Frei, converte-se em um êxito com a assistência de milhares de pessoas ao Parque Cousiño, o que seria uma prévia do resultado final da eleição. Frei obteve 56% dos votos (uma das mais altas maiorias na história eleitoral chilena) enquanto Allendre obteve cerca de 40%.
Eduardo Frei leva adiante uma política de reformismo moderado, em que se destaca a construção de milhares de moradias, modernização do aparato estatal, a reforma educacional (obrigatoriedade de oito anos), fortalecimento das organizações de base e a ampliação da Reforma Agrária. Esta última se converteu em um dos temas mais delicados já que, ao contrário do governo de Alessandri, incluem-se expropriações das grandes fazendas, o que leva a animosidades com os políticos de direita que entendem o ato como uma traição ao seu apoio à eleição presidencial.
Por outro lado, o governo inicia o processo de "Chilenização" do cobre, adquirindo a mina El Teniente e grande parte das ações de Andina e La Exótica. Além disso, constroem-se o túnel Lo Prado e o Aeroporto de Pudahuel, funda-se a Televisão Nacional do Chile e iniciam-se as escavações do Metrô de Santiago.
Porém em 1967 a Democracia Cristã começa a rachar enquanto o governo deve assumir o rechaço tanto da esquerda quanto da direira. Em 1968, as greves começam a se propagar, enquanto as reformas das estruturas políticas dos alunos da Universidade do Chile e da Universidade Católica do Chile produzem sérios conflitos entre os estudantes e o governo.
Em 1969 a crise do governo Frei se acentua, incluindo-se inclusive rumores de Golpe de Estado, o que se concretiza em 29 de outubro com o chamado "Tacnazo", liderado pelo general Roberto Viaux, que leva o Regimento Tacna às ruas de Santiago. Ainda que o evento tenha sido apaziguado e nada foi mais que um falso alarme, refletiu a gravidade da situação política em que se avizinha uma iminente vitória de Salvador Allende nas próximas eleições.
No mesmo ano surge o Movimento da Ação Popular Unitária (MAPU), como facção mais esquerdista da Democracia Cristã e se une à Unidade Popular, a nova aliança formada por socialistas, comunistas, radicais, sociais-democratas e outros grupos, tendo como propósito a chegada de Allende ao Palácio de La Moneda. Radomiro Tomic, o candidato oficial, não é considerado apto para derrotar Allende, motivo pelo qual a direita declara Jorge Alessandri candidato.
Ainda que Alessandri obtivesse a princípio um grande apoio, com o correr das semanas este começou a dissipar-se. Em 4 de setembro de 1970, a votação foi realizada: Allende obteve 36,3%, enquanto Alessandri 34,9% e Tomic, 27,9%. Como nenhum candidato havia alcançado a maioria absoluta, o Congresso teria que decidir o vencedor. Desde 1946, o Congresso havia eleito nesses casos aquele que conseguisse a maioria relativa (assim o fez em 1946, 1952 e 1958), mas muitas pessoas começaram a pressionar para que Alessandri fosse eleito.
O Presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon, opõe-se fortemente a uma vitória do marxismo na América Latina, motivo pelo qual idealiza junto à CIA dois planos para evitar que o Congresso elegesse Allende: o primeiro consistia em tentar convencer a Democracia Cristã para que votasse em favor de Alessandri, o qual renunciaria e chamaria a novas eleições de donde seria eleito Frei; o segundo era provocar um clima de instabilidade política em que o Exército seria obrigado a atuar. Porém o chamado Track One viu-se eliminado quando Radomiro Tomic anunciou que havia chegado a um acordo com Allende para que este assumisse, respeitando um estatudo de garantias constitucionais. Isso provoca a execução do Track Two, que consistia no seqüestro do Comandante do Exército René Schneider, de maneira tal a involucrar o Exército, para que impedisse o Congresso de eleger Allende. Tal ação foi executada em 22 de outubro de 1970, quando Scheneider tenta se defender do atentado e, nessas circunstâncias, é ferido gravemente, falecendo dias depois. Apesar do episódio, o Congresso Pleno decide em 24 de outubro designar Allende como novo presidente do Chile. Mas, o governo Nixon estava preparando outros "Tracks" para o caso de Allende tomar posse e assumir o governo da nação.


Governo da Unidade Popular

Salvador Allende, que assume em 3 de novembro, tenta construir uma nova sociedade baseada no socialismo através da democracia, uma experiência até então única no mundo. Entre suas primeiras medidas, continua o processo de reforma agrária e inicia-se um processo de estatização de empresas consideradas chave para a economia chilena. A partir de certos resquícios legais, baseados em um decreto-lei de 1932, se uma empresa detivesse certo mercado sua produção poderia sofrer intervenção do Estado, o que faz o governo da Unidade Popular incitar aos trabalhadores que detenham suas atividades e assim estatizar as empresas.
Estas medidas foram rechaçadas pela direita, o que não sucedeu com o projeto chave do Governo e que foi apoiado por todos os setores políticos do país: a nacionalização do cobre. Em 15 de julho de 1971, foi aprovado este projeto por votação unânime nas duas Câmaras. O Estado (através da Codelco Chile), tornaria-se proprietário de todas as empresas extratoras de cobre - sendo que estas receberiam indenização, restando-lhes as "utilidades excessivas" que haviam tido nos últimos anos produto dos baixos ou nulos impostos que pagavam. Assim, Anaconda e Kennecott, uma das principais empresas mineradoras, não receberam indenizações pelas minas de Chuquimata e El Tenente, respectivamente, o que dá início a um boicote ao governo de Allende liderado por Henry Kissinger, negando empréstimos internacionais. Por outra parte, o aumento drástico dos salários dos trabalhadores e o congelamento dos preços funciona e alcança-se um crescimento de 8% no PNB com baixa inflação. Neste ambiente, a Unidade Popular chega ao seu auge, com 49,73% das preferências nas eleições municipais deste ano e com um de seus referentes, Pablo Neruda, recebendo o Prêmio Nobel de literatura.


Salvador Allende
Salvador Allende

Porém, a partir do segundo ano, as reformas de Allende começam a ser paralizadas devido à violência que começa a surgir. A tomada de terrenos, aproveitando os resquícios da reforma agrária, termina com alguns agricultores mortos ao tentar defender seus terrenos. A sociedade começa a se polarizar e os enfrentamentos entre partidários e opositores de Allende tornam-se mais freqüentes, nascendo os panelaços. Com tal clima, a visita de Fidel Castro incita os membros da esquerda a iniciar uma revolução popular com base na luta de classes, algo oposto ao que o presidente se propunha. Economicamente, a magia do primeiro ano começa a se desfazer, surgindo os primeiros sintomas do desabastecimento.
O assassinato de Edmundo Pérez Zujovic é o estopim para a Democracia Cristã, que decide associar-se ao Partido Nacional para se opor ao governo. Uma acusação constitucional consegue derrubar o ministro do Interior, José Tohá; porém Allende consegue provocar a oposição ao colocá-lo como ministro da Defesa. Em 19 de fevereiro de 1972, a oposição tenta aprovar no Congresso Pleno uma reforma constitucional que buscava regularizar os planos estatizadores da União Popular, iniciativa dos senadores Juan Hamilton e Renán Fuentealba. Em 21 de fevereiro, Allende anuncia formulárias observações, através de vetos supressivos ou substitutivos, que finalmente chegaram por ofício em 6 de abril.
Nos partidos do governo, aumenta o desejo de radicalizar as reformas, principalmente pelo líder do Partido Socialista, Carlos Altamirano; o Movimento de Esquerda Revolucionária intensifica seus ataques, que são respondidos pelo movimento de ultra-direita Pátria e Liberdade.
No âmbito econômico, o país entra em recessão e o crescimento cai. O PNB cai em torno de 25% e a dívida externa se eleva a 253 milhões de dólares. O desabastecimento, fortalecido por sabotagens (ocultamento de mercadorias) e greves de transportes financiadas pela CIA, permite a configuração do mercado negro e o governo instala as Juntas de Abastecimento e Preços para administrar o repasse de bens para a população. Os meios de comunicação entram em enfrentamentos verbais segundo sua tendência política. Segundo arquivos desclassificados posteriormente pelo governo estadunidense, a CIA houvera entregue apoio, mediante a contratação de publicidade, a diários opositores, como El Mercurio e aos promotores de uma greve de caminhões durante outubro de 1972, o que acaba com o ingresso de militares aos principais ministérios do país, formando-se um gabinete "cívico-militar", onde o general Carlos Prats, comandante em chefe do exército, assume como ministro do Interior.
Em 1973, as eleições parlamentares dão à Unidade Popular 43% dos votos e à Confederação pela Democracia (CODE), 55%. Allende não consegue a maioria para aprovar suas reformas nem a Confederação pela Democracia consegue os dois terços do Congresso para poder destituir o Presidente. Ainda que Allendre tratasse de conseguir um entendimento com Patricio Aylwin, presidente da Democracia Cristã, o Partido Socialista mostra-se completamente intransigente e os acordos não progridem. A violência aumente, especialmente entre os estudantes, devido ao projeto da Escola Nacional Unificada. A FEUC demonstra seu repúdio e a Federação de Estudantes Secundários (FESES) se divide. O projeto é parado graças à intervenção do Cardeal Raúl Silva Henriquez, que surge como mediador da crise.
Os opositores de Allende começam a ver as Forças Armadas como a única salvação para a crise que vive o país. Porém as idéias de René Schneider ("enquanto houver regime legal as Forças Armadas não são uma alternativa de poder") e a do general Carlos Prats ("enquanto subexistir o Estado de Direito a força pública deve respeitar a Constituição") estavam contra um pronunciamento militar para deter grande parte das tropas que se levantaram. Ainda que o Partido Comunista insistisse em manter a paz e evitar a guerra civil, Altamirano afirma que "o golpe não se combate com diálogos, faz-se com a força do povo". Enquanto as observações de Allende à reforma Hamilton-Fuenzalida foram rechaçadas em parte pelas câmaras, sem votar se insistiriam ou não no texto antes aprovado, gerando-se uma controvérsia entre o Presidente e o Congresso, enquanto à tramitação do projeto de reforma. Allende planteou a questão ao Tribunal Constitucional, que finalmente declarou-se incompetente, acolhendo a exceção formulada pela Câmara dos Deputados e o Senado. Diante dessa situação, e vencido o prazo para recorrer a um plebiscito que elucidaria a questão, Allende dita um decreto promulgatório da reforma, contendo apenas os pontos não vetados. Esse decreto não é aceito pela Controladoria Geral da República e a oposição considera tal fato como absolutamente ilegítimo.
Em 22 de agosto a câmara aprova o "Acordo da Câmara de Deputados sobre o grave quebramento da ordem constitucional e legal da República", causada pela negativa do exército em promulgar integralmente a reforma constitucional das três áreas da economia, aprovada pelo Congresso.
Em 27 de junho, Carlos Prats é insultado nas ruas e, temoroso de um ataque como o de Schneider, dispara contra o agressor, atingindo uma mulher inocente. Prats apresenta sua renúncia, que é rechaçada por Allende. No dia 29, Prats teve que enfrentar um dos momentos mais tensos, quando o coronel Roberto Souper levanta o Regimento Blindado nº 2 e se dirige ao Palácio de La Moneda. Pratz, dirigindo as guarnições de Santiago, consegue deter essa tentativa de golpe conhecida como Tanquezaço, enquanto os instigadores se refugiam e pedem asilo na embaixada do Equador, deixando um saldo de vinte mortos, principalmente civis.
Allende reconhece a crise em seu governo e decide convocar um plebiscito para evitar um golpe de estado. As facções mais radicais do governo da Unidade Popular repudiam a sua decisão. O MIR deixa de o chamar de "companheiro" e o chama de "senhor"; Allende apenas conta com o apoio do Movimento de Ação Popular Unitária, do Partido Radical e do Partido Comunista, que compartilham a "via pacífica". Diante dessa situação, Allende convocou seu ministro da Defesa, Orlando Letelier, para que convença ao Partido Socialista, o que consegue na noite de 10 de dezembro de 1973.


Palácio de La Moneda, onde Allende cometeu suicídio.
Palácio de La Moneda, onde Allende cometeu suicídio.

Regime Militar

O Golpe de 1973

Desde Agosto 1973, a Marinha e a Força Aérea preparavam um golpe de estado contra o governo de Allende, lideradas pelo vice-almirante José Toribio Merino e o general Gustavo Leigh. Em 21 de agosto, Carlos Prats decidiu renunciar ao posto de Comandante em Chefe após manifestações das esposas dos generais. Em seu lugar, assume Augusto Pinochet no dia 23, considerado um general leal e apolítico. Em 22 de agosto, a Câmara de Deputados havia aprovado um acordo em que se convocava os ministros militares a solucionar "o grave quebramento da ordem constitucional" (o "Acordo da Câmara de Deputados sobre o grave quebramento da ordem constitucional e legal da República").
Altamirano é advertido de um possível golpe de estado por parte da Marinha e este lança um discurso incendiário, dizendo que o Chile se converterá em um "segundo Vietnã heróico", enquanto se inicia um processo de desaforo contra Altamirano. Em 7 de setembro, Pinochet é convencido por Leigh e Merino e se une aos golpistas, enquanto ente os Carabineros, apenas César Mendoza, um general de baixa antiguidade, estava a favor.
No dia 10 de setembro, a marinha zarpou como estava previsto para participar dos exercícios UNITAS. O exército é aquartelado para evitar possíveis distúrbios no dia do processo de Altamirano. Porém a armada regressou a Valparaíso na manhã de 11 de setembro e tomou a cidade rapidamente. Allende foi alertado cerca das 7 da manhã e se dirigiu ao La Moneda, tratando de localizar a Leigh e Pinochet, o que foi impossível e o fez pensar que Pinochet estivesse preso. O general Sepúlveda, diretor dos Carabineros, assinalou que se manteriam fiéis, mas Mendoza assumiu como Diretor Geral. Por outro lado, Pinochet chegou ao Comando de Comunicações do Exército e começou a participar ativamente do golpe. Às 8h42, as rádios Mineria e Agricultura transmitiram a primeira mensagem da Junta Militar dirigida por Pinochet, Leigh, Mendoza e Merino, solicitando a Allende a entrega imediata de seu cargo e a evacuação imediata de La Moneda, ou seria atacado por tropas de ar e terra. Nesse momento, as tropas de Carabineros cercando o Palácio se retiraram.
Allende decide continuar no Palácio, enquanto às 9h55 chegam os primeiros tanques ao Bairro Cívico, enfrentando-se a franco-atiradores leais ao governo. A CUT chama à resistência nos bairros industriais, enquanto o Presidente decide dar uma última locução:
"Colocado em uma transição histórica, pagarei com minha vida a lealdade do povo. E lhes digo que tenho a certeza de que a semente que entregaremos à consciência de milhares e milhares de chilenos não poderá ser cegada definitivamente. Trabalhadores de minha Pátria! Tenho fé no Chile e em seu destino. Superarão outros homens nesse momento cinza e amargo onde a traição pretende se impor. Sigam vocês sabendo que, muito mais cedo que tarde, abrirão-se de novo as grandes alamedas por onde passe o homem livre, para construir uma sociedade melhor." Salvador Allende, 11 de setembro de 1973
O fogo entre os tanques e os membros do GAP se inicia e, às 11h52, aviões Hawker Haunter da Força Aérea Chilena bombardeiam o Palácio de La Moneda e a residência de Allende, na Avenida Tomás Moro, Las Condes. O Palácio começa a se incendiar, mas Allende e seus partidários se negam a render-se. Perto das 2 horas da tarde, as portas são derrubadas e o Palácio é tomado pelo exército. Allende ordena a evacuação, mas se mantém no Palácio. Segundo o testemunho de seu médico pessoal, Allende disparou com uma metralhadora contra seu queixo, cometendo suicídio.
Às 18 horas, os líderes do pronunciamento se reúnem na Escola Militar, assumindo como membros da Junta Militar que governará o país, e decretam o "estado de guerra", incluindo estado de sítio.

Primeiros Anos da Junta Militar

Após derrubar o governo democrático de Allende, os membros da Junta de Governo começaram um processo de estabelecimento de seu sistema de governo. Ainda que em teoria se mantivesse vigente a Constituição de 1925, o poder que recaía na nova Junta estabelecia uma nova institucionalidade no país: o estado de guerra.
De acordo com o Decreto Lei Nº 1, de 11 de setembro de 1973, Augusto Pinochet assumia a presidência da Junta de Governo, em sua qualidade de comandante em chefe do ramo mais antigo das Forças Armadas. Este cargo, que originalmente seria rotativo, finalmente se tornou permanente; em 27 de junho de 1974 Pinochet assume como "Chefe Supremo da Nação", em virtude do Decreto Lei Nº 527, cargo que seria substituído pelo de Presidente da República, em 17 de dezembro de 1974, pelo Decreto Lei Nº 806. Entretanto, a Junta assume as funções constituinte e legislativa em lugar do Congresso Nacional, que foi fechado em 21 de setembro.
Diante de tal situação, milhares de pessoas começaram a sofrer a repressão exercida pelo novo governo. A maioria dos líderes do governo da Unidade Popular e outros líderes da esquerda foram presos e transferidos a centros de reclusão. Cuatro Álamos, Villa Grimaldi, o Estádio Chile e o Estádio Nacional de Santiago foram utilizados como campos de detenção e tortura, assim como a Oficina Salitrera Chacabuco, a Ilha Dawson na Patagônia, o porto de Pisagua, o Buque Escola Esmeralda e outros locais ao longo do país. Três mil pessoas teriam sido assassinadas por membros da Direção de Inteligência Nacional (DINA) e de outros organismos das Forças Armadas, entre os que se destacam Victor Jara e José Johá. Muitas dessas pessoas permenecem como desaparecidas na atualidade. Além disso, 35 mil pessoas foram torturadas sistematicamente, mais de 300 mil pessoas foram detidas por organismos do governo e outraas tiveram que se exilar em diversos países do mundo, algumas das quais foram brutalmente assassinadas em atentados explosivos no exterior, como Carlos Prats e Orlando Letelier. As sistemáticas violações aos direitos humanos cometidas pela ditadura de Pinochet provocaram o repúdio de diversos estados e da Organização das Nações Unidas (ONU).
No âmbito econômico, o Regime Militar tenta uma "política de choque" para corrigir a crise em que havia sido assumida pelo governo, com inflação superior a 300%. Para tanto, solicita-se a ajuda de um grupo de jovens economistas engressados da Universidade de Chicago, que implantam o modelo de neoliberalismo de Milton Friedman. Os Chicago Boys aproveitaram as idéias nascidas em El Ladrillo e, seguindo as idéias de Friedman, comeraçam um tratamento de choque para a economia chilena: o gasto público foi reduzido em 20%, foram demitidos 30% dos empregados públicos, o Imposto de Valor Agregado (IVA) foi aumentado e os sistemas de empréstimo e financiamento de moradia foram eliminados. Como previsto, a economia depois destas medidas despencou, algo que Friedman considerava necessário para faze-la "ressurgir". O PGB e as exportações caíram em 12% e 40%, respectivamente, e o desemprego aumentou para 16%. Porém as medidas aplicadas durante esse período começaram a surtir efeito em 1977, quando a economia começou a se levantar e se deu início ao que foi o "Boom" ou o "Milagre Chileno". Nestes anos, finalizaram-se os trabalhos do Metrô de Santiago e começaram os da Carretera Austral.
Aproveitando a conjuntura na América Latina, liderada por múltiplos ditadores militares, o Chile se integrou junto a outros estados na Operação Condor, um plano de inteligência destinado à pratica do terrorismo de estado no Cone Sul, apoiado pela CIA. Um dos ideólogos deste plano foi o chefe da DINA, Manuel Contreras, um dos homens com maior poder no país durante estes anos. A proximidade que tinha com líderes de outros países permitiu que, por exemplo, o Chile acertasse posições com a Bolívia, liderada pelo general Hugo Banzer. Isso permitiu a firmação do Acordo de Charaña, uma tentativa de solucionar o problema da mediterraniedade da Bolívia e em que se reestabeleciam as relações diplomáticas, rompidas desde décadas atrás.

A Troca de Década

O ano de 1978 marca um dos anos mais críticos do governo de Pinochet. Os Estados Unidos, que o haviam apoiado no princípio do regime, tornam-se um dos seus principais detratores, devido principalmente ao atentado terrorista contra Orlando Letelier, exilado em Washington. Jimmy Carter, que assume o governo do país no ano anterior, realiza uma forte campanha junto a diversos organismos internacionais exigindo maiores liberdades civis no Chile e criticam a censura contra a imprensa e a repressão à oposição. Antes disso, Pinochet convoca um plebiscito, quando ainda não existiam registros eleitorais. De acordo com os resultados publicados pelo governo, votaram 5.349.172 pessoas: 4.012.023 votos pela opção "Sim", 1.092.226 pela opção "Não" e 244.923 foram brancos ou nulos. Porém, tais cifras foram questionadas devido às diversas irregularidades do processo.
As violações aos direitos humanos continuaram apesar da pressão internacional. Enquanto Pinochet promulga o Decreto Lei Nº 2.191, que concedeu anistia a todos os que haviam cometido feitos delituosos desde a data do golpe, em qualidade de autores, cúmplices ou encobridores, a imprensa começa a revelar o destino dos primeiros detidos desaparecidos na zona de Lonquén. No entanto, a DINA é substituída pela CNI, enquanto o cardeal Raúl Silva Henriquez encara o problema e cria a Vicaria da Solidariedade.
Neste ambiente, Gustavo Leigh manifesta publicamente suas diferenças de opinião com Pinochet. Leigh, o gestor do golpe, opoe-se ao excessivo personalismo de Pinochet e ao modelo econômico imposto. Leigh também esperava apurar os prazos para o retorno da democracia e estava contra as práticas terroristas que estava exercendo o Estado. Diante das declarações do Comandante da Força Aérea ao periódico italiano Corriere della Sera e sua recusa em se retratar, Leigh é destituído pela Junta Militar e é substituído por Fernando Matthei.
Ainda que as relações diplomáticas com os países vizinhos haviam se aproximado, foram rompidas durante 1978. A proximidade da comemoração do centenário da Guerra do Pacífico produziu efervescência no Peru (com que teve problemas diplomáticos em 1974) e na Bolívia. As tentativas de outorgar uma saída ao mar a este último viram-se acabadas pelo veto do Peru ao Acordo de Charaña, veto que poderia exercer de acordo com o estabelecido no Protocolo Adicional do Tratado de Ancón, chegando o ditador do Peru, General EP Juan Velasco Alvarado a mobilizar a 18ª Divisão Blindada do Exército do Peru ao sul, próximo à fronteira do Chile; dias depois o general EP Francisco Morales Bermúdez Cerrutti derrota o general Velasco, desmobiliza a 18ª Divisão Blindada, cujos tanques retornam aos seus quartéis e a normalidade volta à fronteira, mantendo o veto ao Acordo de Charaña. Diante de tal quadro Banzer rompe relações diplimáticas com o Chile.
Ao mesmo tempo surge com a Argentina o Conflito de Beagle. A Rainha Elizabeth II do Reino Unido abdica das ilhas Picton, Lexxon e Nueva ao Chile, as quais estavam em disputa com o país vizinho. Ambos países haviam se comprometido a aceitar o laudo britânico de 1967, porém Jorge Rafael Videla declara o ocorrido como "insanealmente nulo" e a possibilidade de guerra com a Argentina é iminente, a que se somava a possibilidade de um "quadrilhaço" (guerra com a Argentina, Peru e Bolívia).
O Chile tenta solucionar as diferenças através de uma mediação papal com Paulo VI, mas sua morte e a de seu sucessor, João Paulo I, agravam a situação. As tropas chilenas estão recrutadas em Punta Arenas e a esquadra chilena zarpa para enfrentar a da Argentina, em 22 de dezembro de 1978. Uma tempestade nas águas patagônicas evita o primeiro enfrentamento, enquanto João Paulo II apela a uma mediação entre ambos países, a qual é aceita pela Argentina. O conflito seria encerrado com o "Tratado de Paz e Amizade", firmado em 29 de novembro de 1984.
Em outubro de 1978, o Conselho de Estado (um organismo assessor à Junta, presidido por Jorge Alessandri) recebeu um anteprojeto de Constituição redigido pela Comissão Ortúzar. Em 8 de junho de 1980, Alessandri entrega um dictamen e informe elaborado pelo Conselho, contendo várias correções ao anteprojeto. A fim de analisar o projeto apresentado pelo Conselho, a Junta de Governo nomeia um grupo de trabalho que praticou suas funções durante um mês, realizando diversas modificações no texto. Finalmente, em 10 de agosto Pinochet informa que a Junta aprovou a nova Constituição e que a submeterá a um plebiscito. Os registros eleitorais, no entanto, não foram abertos, motivo pelo qual várias irregularidades teriam sido cometidas. A oposição só pôde se manifestar em um ato político liderado por Eduardo Frei Montalva no teatro Caupolicán. Em 11 de setembro de 1980 realizou-se o referendo que obteve um respaldo de 68,95% dos votos. Assim, a nova Constituição Política da República do Chile entrou em vigor em 11 de março de 1981.


Augusto Pinochet
Augusto Pinochet

Em 1981, os primeiros sintomas de uma nova crise econômica começam a ser sentidos no país. O Chile, graças ao Boom, havia crescido a uma média anual de 7,5% entre 1976 e 1981; porém a balança de pagamentos alcançou um déficit de 20% neste ano e os preços do cobre caíram rapidamente. Os investidores estrangeiros deixaram de investir, enquanto o governo dizia que tudo isso era parte da recessão mundial. Os investidores nacionais e as empresas chilenas haviam aproveitado durante esse período para pedir diversos empréstimos, basados na promessa de um câmbio fixo de um dólar a 39 pesos chilenos.
A situação não pôde se sustentar e, em junho de 1982, o peso foi desvalorizado e a política de câmbio fixo se encerrou. Diante disso, os empréstimos alcançaram taxas exorbitantes e muitos bancos e empresas quebraram. O desemprego se elevou a 25% e o governo não encontrava fórmula capaz de manejar a situação. A inflação alcançou 20% e o PIB caiu em 15%. Começaram, então, a aparecer os primeiros protestos de caráter pacífico, que foram violentamente reprimidas pelos carabineros e pelo exército. Implanta-se o estado de sítio e o momento é aproveitado por diversas organizações terroristas como a Frente Patriótica Manuel Rodriguez, que decidiu iniciar a "Operação Retorno" e começar com o fim do Regime pela via armada.
Em 27 de dezembro de 1986 comandos do FPMR tentam assassinar o general Pinochet no caminho ao Cajón de Maipo. Diante do fracasso dos comandos esquerdistas, Pinochet ordena uma forte onda repressiva que termina com a morte de diversos frentistas (Operação Albânia. No mesmo período tornou-se público o assassinato de cinco professores comunistas que foram encontrados degolados, delito cometido por corpo de carabineros, o que obrigou à renúncia do diretor geral César Mendoza, que foi substituído por Rodolfo Stange.
Com a renúnica de Sergio Fernández ao Ministério do Interior, Sergio Onofre Jarpa, seu sucessor, permite a aproximação à Aliança Democrática (composta por democratas cristãos e socialistas moderados). Graças à participação do Cardeal Francisco Fresno, partidários do governo e parte da oposição formularam, em agosto de 1985, um "Acordo Nacional para a Transição à Plena Democracia". Tal acordo foi recebido com ceticismo por setores da extrema esquerda e sérias discrepâncias ao interior da Junta de Governo.
No âmbito econômico, Hernán Büchi conseguiria produzir o "Segundo Milagre" devido a um profundo processo de privatizações de empresas públicas (LAN Chile, Entel, CTC, CAP) e a reimplantação do modelo neoliberal (substituído pelo keynesiano nos anos mais cruéis da crise). Ainda que o PIB se duplicasse nos anos seguintes, a redução do gasto socal aumentaria o abismo entre ricos e pobres, fazendo do Chile um dos país com maior desigualdade na renda, e as gratificações reduziram-se a limites mínimos, entre outros efeitos. Por outro lado, a zona do Chile Central foi sacudida por um terremoto em 3 de março de 1985, tendo os edifícios de Santiago, Valparaíso e San Antonio sofrido graves danos nas estruturas.

Últimos Anos

O governo promulga em 1987 a Lei Orgânica Constitucional dos Partidos Políticos, que permite a criação de partidos políticos, e a Lei Orgânica Constitucional sobre sistema de inscrições eleitorais e Serviço Eleitoral, que permite abrir os registros eleitorais. Com estas disposições legais, abriria-se a brecha para cumprir o estabelecido pela Constituição de 1980. Segundo ela, devia-se convocar os cidadãos a um plebiscito onde se ratificaria um candidato proposto pelos Comandantes em Chefe das Forças Armadas e o General Diretor dos Carabineros, para ocupar o cargo de presidente da República no período seguinte de 8 anos.
No caso do resultado ser adverso, o período presidencial de Augusto Pinochet se prorrogaria por mais um ano, como as funções da Junta de Governo, devendo se convocar a eleição de Presidente e de Parlamentares.
No início de 1987, o país presenciaria a visita do Papa João Paulo II, que percorreu as cidades de Santiago, Viña del Mar, Valparaíso, Temuco, Punta Arenas, Puerto Montt e Antofagasta. O Sumo Pontífice seria testemunha presente da repressão durante alguns protestos, durante a cerimônia de beatificação de Teresa dos Andes no Parque O'Higgins (3 de abril de 1987). Durante sua visita, João Paulo II manteve uma longa reunião com Pinochet em que trataram do tema do retorno à democracia. Nesta reunião, o Pontífice haveria instigado Pinochet a fazer modificações no regime e inclusive haveria solicitado sua renúncia. No ano seguinte, convocou-se a realização do plebiscito, fixado em 5 de outubro.
Em 30 de agosto de 1988, os Comandantes em Chefe das Forças Armadas e o General Diretor dos Carabineros, de conformidade com as normas transitórias da Constituição em vigor, propuseram como seu candidato Augusto Pinochet. Os partidários do "Sim" estariam integrados por membros do governo e os partidos Renovação Nacional, a União Democrata Independente e outros partidos menores. Por outro lado, a oposição criou a Concertação de Partidos pelo "Não" que agrupava 16 organizações políticas opositoras ao regime, entre as que se destacavam a Democracia Cristã, o Partido pela Democracia e algumas facções do Partido Socialista. No entando, o Partido Comunista ainda estava proscrito.
Em 5 de setembro deste ano foi permitida a propaganda política após 15 anos de ditadura. A propaganda seria um elemento chave para a campanha do "não", ao mostrar um futuro colorido e otimista, contraponto a campanha oficial, notoriamente deficiente de qualidade técnica e que pressagiava o retorno do governo da Unidade Popular em caso de uma derrota de Pinochet. Ainda que a campanha do "sim" conseguisse reverter os magros resultados do começo, revitalizando sua campanha, os resultados finais entregaram a vitória à oposição: o "sim" obteve 44,01% contra 55,99% do "não".
Apesar do silêncio inicial de Pinochet (o que, segundo algumas informações, aparentemente havia pensado em não reconhecer os resultados no princípio), reconhece a vitória do "não" e afirma que continuará o processo traçado pela Constituição de 1980. Assim, chamou-se eleições para a presidência e parlamento no dia 14 de dezembro de 1989. Previamente, um plebiscito realizado em 30 de julho deste ano havia aprovado uma série de reformas à Constituição, reduzindo em parte o autoritarismo que possuía a Carta Fundamental.
Patricio Aylwin, candidato da Concertação, obteve 55,17% dos votos, frente a 29,4% de Büchi e 15,43% de Francisco Javier Errázuriz, candidato independente de centro.

Transição para a Democracia

Governo de Patricio Aylwin (1990-1994)

Patricio Aylwin recebeu o mandato das mãos de Augusto Pinochet, em 11 de março de 1990 no novo Congresso Nacional do Chile, localizado na cidade de Valparaíso, dando início ao processo de transição à democracia.
No início de seu governo, Patricio Aylwin teve que trabalhar em um sistema que mantinha inacessíveis muitos vestígios do Regime Militar. Ainda que a Concertação tivesse obtido a maioria dos votos nas eleições parlamentares, devido ao sistema binomial e a existência de senadores designados, não se poderia fazer as esperadas reformas à Constituição e a administração local das comunas ainda estava nas mãos de pessoas designadas pelo governo militar, que foram substituídas nas eleições de junho de 1992.


Patricio Aylwin, Presidente do Chile após a restauração da democracia.
Patricio Aylwin, Presidente do Chile após a restauração da democracia.

Aywlin governou cautelosamente, cuidando das relações com o exército, onde Pinochet ainda se mantinha como Comandante em Chefe. O exército, ainda que houvesse deixado de participar do governo, seguia sendo um importante ator político e manifestou seu rechaço a certas medidas do governo concertacionista através de movimentos táticos como o "Exército em Enlace" e o "Boinazo", em 1991 e 1992, respectivamente.
Neste contexto, constituiu-se a Comissão Nacional de Verdade e Reconciliação, destinada a investigar e esclarecer as situações de violações dos direitos humanos durante os anos do Regime Militar. Dirigida por Raúl Rettig, a Comissão enfrentou o rechaço das autoridades castrenses. Apesar disso, o informe da comissão foi trazido ao conhecimento público através da televisão pelo Presidente Aylwin, em 4 de março de 1991, após nove meses de trabalho. No seu pronunciamento, Aylwin apresentou o resultado dos estudos, pediu perdão às famílias das vítimas em nome da Nação, anunciou medidas de reparação moral e material para estas e o desejo do Estado de impedir e prevenir novas violações aos direitos humanos.
Durantew sua gestão, Aylwin propôs criar modificações nas normas tributárias para aumentar o gasto de imposto e melhorar a distribuição de renda, no momento em que a economia chilena seguia prosperando devido ao aumento das exportações de cobre e dos produtos agrícolas. Com tanto, a pobreza em seu mandato reduziu-se de 38,75% para 27,5%. Promulga-se a Lei Indígena, que reconhoce pela primeira vez aos povos indígenas e que cria a Corporação Nacional de Desenvolvimento Indígena, organismo encarregado da promoção de políticas que fomentem o desenvolvimento integral desses povos. Igualmente, o Escritório de Planificação Nacional e Cooperação (ODEPLAN) se tranforma em Ministério de Planificação e Cooperação; cria-se o Fundo de Solidariedade e Inversão Social, para fomentar as políticas sociais, e com a promulgação da Lei sobre Bases Gerais do Meio Ambiente, que buscava estruturar um marco para a ordenação ambiental, cria-se a Comissão Nacional do Meio Ambiente, para promover o desenvolvimento sustentável e coordenar as ações derivadas das políticas e estratégias ambientais do governo.
Em 1993 foram realizadas novas eleições presidenciais e renovou-se a Câmara dos Deputados e metade do Senado. Eduardo Frei Ruiz-Tagle, filho do mandatário homônimo e também democrata-cristão, obteve 58,01% dos votos, a maior votação em eleições livres da história republicana. O segundo, Arturo Alessandri Besa, candidato da União pelo Progresso (RN e UDI), obteve só 24,3% dos sufrágios.

Governo de Eduardo Frei Ruiz-Tagle (1994-2000)

Frei, que assumiu em 11 de março de 1994, reiniciou as relações do país com exterior, após certo isolamento em que esteve durante o Regime Militar. A economia se expandiu ainda mais e o crescimento médio foi de 8% ao ano durante os três primeiros anos de governo, o que permitiu o início das negociações com o Canadá, Estados Unidos e México para a integração ao Nafta e o ingresso como membro associado do Mercosul. O Chile também ingressou no Grupo do Rio e no decorrer da década conseguiu resolver os últimos litígios fronteiriços com a Argentina (Laguna del Desierto e Campos de Hielo Sur).
Ademais, iniciam-se as primeiras gestões para um tratado de livre comércio e de assossiação com a União Européia e, em 1997, o Chile se converte em membro da APEC, abrindo sua economia até a costa da Ásia, principalmente Japão e China. A pobreza continuou com seu ritmo descendente e, em 1998, chegou a 21,7% da população. Várias obras públicas foram construídas ao longo do país e inicia-se o sistema de licitações que permitem a construção das primeiras rodovias de nível internacional do país.
Porém na metade de seu mandato tem início a crise asiática, que afetará grande parte da pujante economia chilena. Durante estes mesmos anos, o país enfrentou importantes crises ambientais: a alta contaminação atmosférica em Santiago, o terremoto Blanco de 1995 que assolou o sul do Chile, as fortes secas de 1996 que impediram a geração de hidroeletrecidade e o corte do abastecimento às principais cidades, as enchentes de 1997 na zona centro-sul e o terremoto de Punitaqui no mesmo ano.
O crescimento do Chile estancou-se (o PIB diminuiu em 1%) e o desemprego começou a aumentar, superando os 12% (em 1997, mantinha-se próximo a 5%). As decisões errôneas do ministro Eduardo Aninat e do Banco Central expandiram o efeito e a recessão se estabeleceu nos últimos anos do governo de Eduardo Frei.
Concomitantemente, uma crise política inicia-se no país devido à detenção, em Londres, de Augusto Pinochet, que em 1998 havia assumido como senador vitalício após abandonar o Comando do Exército, devido a uma ordem de captura internacional emanada do juíz espanhol Baltasar Garzón pelo assassinato e tortura de cidadãos de nacionalidade espanhola durante seu governo. A detenção de Pinochet supôs uma humilhação ao Chile, visto que em seu país não havia sequer sido processado por causa alguma. A postura oficial do governo então foi que Pinochet deveria voltar ao país para ser julgado pelos tribunais nacionais e não na Espanha ou Suíça, países que solicitam sua extradição ao Reino Unido. Os partidos de direita apoiam fortemente Pinochet, realizando manifestações contra sua detenção, nas embaixadas da Espanha e do Reino Unido e ocorrem alguns embates com simpatizantes da Concertação, cujos partidos da ala progressista apoiam a reclusão de Pinochet.
As gestões dos ministros de relações exteriores José Miguel Insulza e, posteriormente, Juan Gabriel Valdés, sofrem avanços e retrocessos. A Câmara dos Lordes revoca, em novembro de 1999, uma resolução de um tribunal que aceitava a imunidade diplomática de Pinochet como senador e ex-Presidente. A ex-Primeira Ministra Margaret Thatcher visita Pinochet, que começa a sofrer graves problemas de saúde, e confessa que o Chile havia apoiado ao Reino Unido durante a Guerra das Malvinas (1992), conflito em que o Chile era neutro, o que provocou reações de protesto por parte do governo argentino. Ainda que o governo de Tony Blair quisesse que se julgasse Pinochet, os exames neurológicos verificaram a gravidade do estado de saúde de Pinochet. Para evitar que o general morresse na Grã-Bretanha, Jack Straw, ministro das Relações Exteriores de Blair, decide liberar Pinochet em 2 de março de 2000 por "razões humanitárias". Pinochet retorna a Santiago no dia 3 e se levanta de sua cadeira de rodas, levantando sua bengala de forma vitoriosa, caminhando alguns metros na pista de aterrisagem do Aeroporto, irritando os políticos que estavam contra seu traslado.
Durante estes anos, a direita aumentou seu apoio na mão de Joaquín Lavín, prefeito de Las Condes e figura relativamente nova no âmbito político, e que consegue se aproximar do eleitorado popular. Aproveitando as deficiências dos governos da Concertação no período da crise, Lavín consegue colocar em xeque o candidato oficial Ricardo Lagos, um dos principais líderes da esquerda concertacionista durante a época do plebiscito, pré-candidato presidencial nas duas oportunidades anteriores e ministro de Obras Públicas durante o governo de Frei. Diante da forte luta para ser o nominado da Concertação frente ao democrata-cristão Andrés Zaldivar, em que Lagos havia obtido mais de 71% em eleições primárias, grande parte do eleitorado de centro havia votado em Lavín temorosos da chegada de um socialista ao governo, repetindo a experiência de Salvador Allende. Da mesma forma, muitos comunistas e a esquerda extraparlamentar temem a vitória do candidato gremialista em primeiro turno e decidem votar por Lagos, deixando de lado a candidata Democrata-Cristã, Gladys Marín. Nas eleições de 12 de dezembro de 1999, Ricardo Lagos obtém 47,96% dos votos, apenas 30.000 a mais que Lavín. Marín obtém apenas 3,92%. O segundo turno é fixado para 16 de janeiro de 2000: o comando de Lagos é refeito e integra Soledad Alvear, ex-ministra de Justiça de Frei, como coordenadora de campanha para aproximar-se do voto de centro que havia escapado para Lavín. Finalmente, Lagos é eleito com 51,3%, contra 46,7% do candidato da UDI.

Século XXI

Governo de Ricardo Lagos (2000-2006)

Ricardo Lagos assume o governo em 11 de Março de 2000 e deve lidar com as conseqüências da crise asiática, da qual o país não se recupera, e do caso Pinochet. Entre suas prioridades se destacam pôr em prática a Reforma Processual Penal e a redução dos níveis de desemprego. A economia chilena não decola e as tentativas de reforma do governo de Lagos não são aprovadas no Congresso ou não têm resultados favoráveis, como a reforma da saúde.
Durante o ano de 2001, revela-se um caso de corrupção relacionado à venda de revisões técnicas em Rancagua, em que é envolvido um subsecretário do governo e alguns parlamentares da Concertação. Inicia-se, então, uma série de acusações de corrupção ao governo de Ricardo Lagos relacionadas ao Ministério de Obras Públicas (Caso MOP-GATE, principalmente) e a administração de Lagos começa a enfraquecer, especialmente após as eleições parlamentares deste ano que dão como resultado quase um empate técnico entre a Concertação e a Aliança pelo Chile.
O governo passa por sua pior crise durante o ano 2002 e começos de 2003, quando enfrenta inúmeras críticas pela administração. Porém em 2003 as cifras macroeconômicas chilenas começam a melhorar, alcançando crescimento próximo a 4%. O Chile ingressa como membro do Conselho de Segurança das Nações Unidas, tendo que tomar uma decisão ante os planos de Washington de invadir o Iraque. Ricardo Lagos, em uma conversa telefônica, informa a George W. Bush que o Chile votará contra a proposição, o que é apoiado por grande parte da população nacional, que se opunha em validar uma invasão.
O Chile consegue fechar os acordos iniciados no governo anterior, firmando o tratado de livre comércio com a União Européia, que entrou em vigência em 1 de janeiro de 2003. Posteriormente, são firmados os tratados com a Coréia do Sul e Estados Unidos, graças às gestões de Soledad Alvear, ministra de Relações Exteriores do governo de Lagos. As exportações, graças a estes acordos, aumentam explosivamente e o Chile volta ao crescimento do governo de frei, desfazendo-se as dúvidas que inicialmente tinha o empresariado. Mesmo assim o governo não consegue controlar as cifras de desemprego (que beiram os 8%) e a desigualdade de renda não varia substancialmente.
No início de 2004, Lagos teve que enfrentar publicamente o Presidente da Bolívia, Carlos Mesa, visto que esse exige uma saída ao mar para seu país, considerando a precária situação econômica e política que vivia o país. Posteriormente, Lagos enfrenta Hugo Chávez e Néstor Kirchner. A dura posição frente ao Presidente da Bolívia e a atitude utilizada com os outros mandatários foram reconhecidas por toda a opinião pública, nacional e internacional, e a valorização positiva de Ricardo Lagos começou a aumentar, conseguindo taxas próximas a 65% de apoio segundo diversas pesquisas. A crise que parecia pressagiar inclusive um fim abrupto do governo se dissipa e a Concertação começa a ressurgir. Os prognósticos, que davam Joaquín Lavín como vencedor das próximas eleições presidenciais, começam a variar substancialmente com a arremetida de duas ministras do governo de Ricardo Lagos, Soledad Alvear e Michelle Bachelet.
Bachelet, que havia assumido originalmente o Ministério da Saúde, passa em 2002 ao Ministério da Defesa Nacional, sendo a primeira mulher da América Latina em ostentar tal cargo. Durante sua administração, as relações civico-militares começam a se recompor após anos de deterioramento desde 1973. Sob o mandato do general Juan Emilio Cheyre, o exército reconhece as violações dos Direitos Humanos e o Governo entrega os resultados da Comissão Valech sobre tortura durante o Regime Militar. Pinochet é processado por diversos casos de violações aos Direitos Humanos, mas se isenta devido a uma "demência senil". Durante 2004, investigações nos Estados Unidos demonstrariam que Pinochet guardou vários milhões de dólares no Banco Riggs, e, em 2005, seria detido por evasão de tributos e falsificação de material público.
O governo de Lagos caracterizou-se em um amplo desenvolvimento de obras viárias, criando-se as primeiras estradas urbanas do pais, novas linhas do Metrô de Santiago, o Metrô de Valparaíso e o Metrô de Concepción, e implementando-se um novo sistema de transporte em Santiago chamado Transantiago. Na política, diminui-se o apoio à Aliança, aparentemente pelo Caso Spiniak (descoberta de rede de pedofilia no país, que supostamente envolvia políticos da direita), o que permite uma recuperação do oficialismo, demonstrado nos resultados das eleições municipais de 31 de outubro de 2004 (47,9% para Concertação e 37,7% para a Aliança na eleição de conselheiros).
As figuras das ex-ministras Alvear e Bachelet começam a aumentar seu respaldo nas pesquisas e, no princípio de 2005, ambas venceriam Lavín, o candidato da Aliança. A Concertação decide por um processo de primárias entre suas duas candidatas, enquanto na Aliança começam a surgir vozes dissidentes quanto à candidatura de Lavín, o que acaba com a indicação de Sebastián Piñera como candidato da Renovação Nacional, em 14 de maio. Diante do baixo respaldo nas pesquisas sobre as primárias, Alvear declina sua candidatura, o que faz de Bachelet a eleita como representante do conglomerado oficial.
Bachelet corre como favorita. Com o passar dos meses, Piñera começa a tomar vantagem e finalmente supera levemente Lavín nas eleições presidenciais de 11 de dezembro. Ainda que a Concertação consiga um resultado histórico (51,75%) nas eleições parlamentares e que assim tenha, desde 2006, maioria em ambas as câmaras, sua candidata à primeira magistratura não consege convocar todo o apoio dos cidadãos de Lagos e seu conglomerado, e obtém 46% dos votos. Com tais resultados, Piñera e Bachelet enfrentaram-se novamente em 15 de janeiro de 2006 no segundo turno, no qual Bachelet recuperou grande parte do eleitorado dissipado no primeiro turno, graças ao decidido apoio dos personagens do governo, sendo eleita com 53,49% das preferências. Assumiu o cargo de Presidente da República em 11 de março de 2006, convertendo-se na primeira mulher em ostentar tal cargo no país.
Fonte: pt.wikipedia.org
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