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PAÍSES DA AMÉRICA DO SUL
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Venezuela
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Acredita-se que foi Américo Vespúcio quem deu nome à Venezuela. As casas sobre estacas em que viviam os indígenas das margens do lago Maracaibo recordaram ao navegante os palácios de Veneza e assim denominou o país "pequena Veneza", ou Venezuela. Os recursos naturais e especialmente as grandes jazidas de petróleo, exploradas desde a terceira década do século XX, impulsionaram o desenvolvimento do país.
A Venezuela divide com a Colômbia o extremo setentrional do continente sul-americano. Ocupa uma superfície de 912.050km2 e limita-se ao norte com o mar do Caribe, a nordeste com o oceano Atlântico, a leste com a Guiana, ao sul com o Brasil, e a sudoeste e oeste com a Colômbia. Há uma antiga disputa quanto a um território de 137.270km2, a oeste do rio Essequibo, administrado pela Guiana.
O litoral venezuelano do Caribe e do Atlântico, com quase três mil quilômetros de extensão, é recortado e de fisionomia muito variada. No extremo oeste do litoral caribenho se abre, entre as penínsulas de La Guajira e Paraguaná, o golfo da Venezuela, que se liga ao sul com o lago Maracaibo. Pertencem ao país as ilhas de Las Aves, Los Roques, Orchila, Blanquilla, Los Hermanos e, a pouca distância da península de Araya, a ilha Margarita. O golfo de Paria se abre no continente em frente à ilha de Trinidad, e o amplo delta do Orinoco ocupa grande parte da fachada atlântica.


Geologia e relevo

Distinguem-se no relevo venezuelano três regiões principais: a região dos altos relevos, os llanos (planícies) e o maciço da Guiana. Na região dos altos relevos destaca-se a cordilheira dos Andes, que, ao penetrar na Venezuela, procedente da Colômbia, se desdobra em dois ramos principais: um para o norte (serra do Perijá) e outro para nordeste (cordilheira de Mérida), que culmina no pico Bolívar (5.002m), coberto de neves eternas.
Acompanhando o litoral, erguem-se a cordilheira da costa ou do Caribe e, mais adiante, terminando na península de Paria, a cordilheira oriental. Entre a serra de Perijá e a cordilheira de Mérida fica a maior depressão da região, a do lago Maracaibo, que se comunica por um estreito canal com o golfo da Venezuela. Na direção sul, até encontrar o rio Orinoco, estende-se a região dos llanos, que ocupa mais de um terço da superfície do país. Sua altitude média é pequena, exceto no sopé das montanhas, e sua topografia é constituída por numerosos platôs.
Na outra vertente do mesmo rio fica o sistema Parima ou maciço das Guianas, que ocupa 45% do território venezuelano. Com altitude média de 400m, apresenta, contudo, elevações importantes, como os montes Roraima, Guanayguaca e outros, e violentos desníveis que interrompem o curso dos rios, produzindo enormes quedas d'água, como a do salto de Ángel, a cascata mais alta do mundo, com uma queda de 979m.


Clima

Embora varie de acordo com a altitude, o clima na Venezuela é em geral tropical, com estações marcadas mais pela diferença de precipitação do que de temperatura, que oscila entre 24°e 36° C. Chove principalmente de abril a maio e de setembro a outubro. Nas cordilheiras, onde habita a maior parte da população, prevalecem temperaturas de 10°a 25°C, próprias de zonas temperadas. Nas grandes altitudes, acima de dois mil metros, registram-se marcas negativas. As chuvas variam também segundo a região. No litoral situam-se na faixa de 400 a 800mm; nos planaltos atingem até 1.600mm; e no maciço guiano chegam a ultrapassar 3.000mm.


Hidrografia

O território venezuelano se divide em duas grandes bacias hidrográficas: a do Atlântico, que cobre cerca de oitenta por cento do país, e a do Caribe. Uma pequena bacia interior lança suas águas no lago Valencia, mas está-se reduzindo de modo constante, por sedimentação e evaporação.
O Orinoco, o principal rio do país, é um dos mais caudalosos da América do Sul. Nasce no Parima, perto da fronteira com o Brasil, e se estende por quase três mil quilômetros.
A 200km do Atlântico, o rio desdobra-se em diversos braços, que formam o delta Amaruco. Entre seus inúmeros afluentes, destacam-se o Caroní, de enorme potencial hidráulico, e o Cassiquiare, que tem ligação com o rio Negro, da bacia Amazônica, bem como o Apure, o Aroyca, Aro, Caura, Meta, Ventuari e Vichada. Os dois maiores lagos são o Maracaibo, com 13.280km2 de superfície, e o Valencia, com 364km2.
Flora e fauna. As florestas cobrem quase quarenta por cento do território, e a savana, aproximadamente metade. Na região costeira predominam palmeiras e, nas zonas áridas, cactáceas. Campinas, alternadas com culturas agrícolas caracterizam a vegetação na região montanhosa. Nas partes mais elevadas, há prados e madeiras e, acima de 2.500m, espécies de altas montanhas.
Os llanos são cobertos por savanas, com matas-galerias ao longo dos rios. Já no sistema Parima prevalecem espessas florestas, que fornecem madeiras-de-lei, látex e outros produtos.
A fauna é a própria da Amazônia. Entre os animais nativos incluem-se onças pardas, onças pintadas, jaguatiricas, martas, lontras, zorrilhos, juparás, antas, caititus e veados. Entre os répteis, há crocodilos, lagartos e várias espécies de cobras. Encontram-se ainda tartarugas, rãs, sapos e salamandras. As aves, migratórias e não-migratórias, são abundantes e diversas. São comuns os grous, cegonhas, íbis e patos.


População

Desde começos do século XIX a Venezuela viveu, como o Brasil, um processo de miscigenação étnica em que colonizadores europeus e, depois, escravos africanos, se somaram à população ameríndia. Cerca de setenta por cento da população venezuelana é constituída de mestiços, seguidos de brancos, negros e uma pequena percentagem de indígenas puros, dispersos pela bacia do lago Maracaibo, delta do Orinoco e Amazônia.
A taxa de natalidade é muito alta, embora passe hoje por acentuada queda. Já a taxa de mortalidade é baixíssima. A maior parte da população se concentra no norte (onde fica Caracas, a capital), na região ocidental, na área em torno do lago Maracaibo e na zona andina. Já os llanos são pouco povoados e a zona oriental é quase deserta em sua maior parte. Além de Caracas, as principais cidades são Maracaibo, Valencia, Barquisimeto e Maracay.
A língua oficial do país é o espanhol, enriquecido por numerosos regionalismos. As diferentes tribos indígenas conservam cerca de 25 línguas indígenas, na maioria das famílias caribe, aruaque e chibcha. A constituição garante a liberdade de culto no país: o catolicismo é a religião predominante. Várias denominações protestantes formam a principal minoria religiosa, seguida de judeus e muçulmanos.


Economia

A economia da Venezuela era essencialmente agrícola e pecuária até a primeira década do século XX. A partir de 1910, os investimentos maciços na indústria petrolífera determinaram uma completa transformação na economia nacional, que passou a depender da exportação de óleo bruto. Em 1928, a Venezuela já era o maior exportador mundial de petróleo cru e se manteve nessa posição até 1970.


Agricultura e pecuária

As terras agricultáveis correspondem a cerca de quatro por cento do território do país, mas apenas dois terços desse total são cultivados. Aproximadamente 15% da mão-de-obra venezuelana está empregada na agricultura, que produz para consumo doméstico sobretudo banana, milho e sorgo. As principais culturas comerciais são cana-de-açúcar, café e cacau. A criação extensiva de bovinos é praticada nos llanos e, de forma mais limitada, nas planícies em torno do lago Maracaibo.
Pesca e recursos florestais. Apesar do extenso litoral venezuelano, a pesca não é muito desenvolvida no país. Uma empresa governamental foi fundada na década de 1970 para desenvolver a indústria pesqueira. A enchova é a espécie mais abundante, destinada ao consumo local e ao mercado externo, juntamente com o camarão.
Embora as reservas florestais venezuelanas sejam imensas, a indústria florestal do país se desenvolveu muito lentamente, em virtude da distância das reservas mais ricas e das rígidas leis de conservação criadas pelo governo.


Energia e mineração

A exploração de petróleo foi dominada por multinacionais até 1976, quando o governo venezuelano nacionalizou a indústria petrolífera. As maiores jazidas estão na região do lago Maracaibo, mas foram descobertos grandes depósitos nos llanos orientais, no delta do Orinoco e na plataforma continental. O subsolo venezuelano é rico também em gás natural e carvão.
A produção de minério de ferro ganhou grande importância a partir da década de 1950. A pouca distância de Ciudad Bolívar e Ciudad Guayana existem imensas jazidas de minério de alto teor, exploradas a partir da década de 1950 por empresas americanas, nacionalizadas em 1976. Outros metais extraídos incluem ouro, diamantes, cobre, zinco, níquel, chumbo, titânio e manganês. Fosfatos, enxofre e amianto são explorados industrialmente.
Afora o petróleo e o gás natural, os rios venezuelanos constituem a mais importante fonte de energia do país. O rio Caroní, tributário do Orinoco, é o de maior potencial hidrelétrico, e em segundo lugar vem o rio Santo Domingo, que desce a cordilheira de Mérida e também pertence à bacia do Orinoco. Os pequenos rios que descem os Andes também têm seu potencial hidrelétrico aproveitado.


Indústria

O abundante suprimento de petróleo, gás natural e energia elétrica, a variedade de matérias-primas, a disponibilidade de capital e o poder de compra relativamente elevado da população foram os principais fatores que contribuíram para a expansão e diversificação da indústria venezuelana, a partir da década de 1960. A implantação das indústrias de consumo e de metalurgia foi alcançada sob a proteção de pesadas tarifas e cotas de importação.
Como resultado do aumento do preço do petróleo no mercado internacional em 1973 e 1974, as receitas governamentais se expandiram, o que permitiu direcionar as estratégias de desenvolvimento de grandes projetos, como a produção de ferro e aço, alumínio, equipamentos de transporte, petroquímicos e um complexo de engenharia metalúrgica e de fundição.
O ritmo do progresso industrial diminuiu quando os preços do petróleo declinaram, anos depois. As modernas indústrias do país estão inseridas em três setores de produção: refinarias de petróleo e usinas petroquímicas associadas (principalmente em Morón e estado de Zulia); bens de consumo, que incluem têxteis, couro, papel, pneus, fumo, entre outros (em torno das cidades de Valencia, Maracay e Caracas); e as indústrias pesadas, que se desenvolvem sobretudo no complexo de Ciudad Guayana. Finanças, comércio e turismo. O sistema financeiro venezuelano é controlado pelo Banco Central da Venezuela, que emite a moeda nacional, o bolívar.
Os principais produtos de exportação são o petróleo e seus derivados e o minério de ferro. As importações se compõem sobretudo de maquinaria e equipamentos de transporte, medicamentos, produtos químicos, alimentos, bebidas e fumo. Entre os principais parceiros comerciais do país estão os Estados Unidos, os países da União Européia e o Japão. A Venezuela integra o Pacto Andino, organização que busca a integração econômica das nações da região.
A maior atração turística do país é Caracas, cidade com fisionomia urbana bastante moderna e ao mesmo tempo rica em cultura e história. Outros pontos turísticos são a ilha Margarita, as cidades andinas e o famoso salto de Ángel. As praias do Caribe, os parques nacionais e as regiões de montanha e selva são também muito procuradas.


Transporte e comunicações

A rede de transporte terrestre é bem desenvolvida, principalmente no norte e no noroeste do país, densamente povoados. O transporte doméstico depende largamente das rodovias, enquanto o transporte industrial serve-se das rotas marítimas costeiras e das vias fluviais. O transporte aéreo dá acesso a diversas localidades sem outros meios de comunicação. As ferrovias são pouco importantes: uma linha estatal liga Barquisimeto a Puerto Cabello, no litoral, e segue depois até Caracas. As estradas de ferro privadas servem à indústria de ferro e aço, ligando as jazidas a Ciudad Guayana.
A maior parte do comércio exterior é feita por via marítima. Os principais portos são La Guaira, Maracaibo, Puerto Cabello, Puerto Sucre, Ciudad Bolívar e Ciudad Guayana. Os dois últimos comunicam-se com o mar pelo rio Orinoco, que é navegável ao longo de quase mil quilômetros. A dragagem do estreito que liga o lago Maracaibo ao golfo da Venezuela permitiu a passagem de petroleiros de grande calado até os campos petrolíferos da margem oriental do lago. Há vários aeroportos internacionais, mas o de maior tráfego é o Simón Bolívar, nos arredores da capital.


História

O território venezuelano foi um dos primeiros habitados pelo homem na América do Sul, possivelmente há mais de 15.000 anos. No entanto, não há registros de que as terras que hoje pertencem à Venezuela tenham sido palco de uma grande civilização pré-colombiana, como ocorreu em outros países andinos e da América Central. Antes da chegada dos europeus, a região era habitada, em sua maior parte, por tribos que viviam do extrativismo, da caça e da pesca e que não possuíam uma organização social complexa. No primeiro milênio da era cristã, o litoral do mar do Caribe foi povoado por pacíficos índios aruaques, progressivamente deslocados pelos ferozes caribes. Tribos nômades viviam nos llanos, no sistema Parima e na Amazônia.


Descobrimento e colonização

Em sua terceira viagem à América, em agosto de 1498, Cristóvão Colombo ancorou suas naus na península de Paria, que o almirante tomou por uma ilha, denominando-a "terra de Gracia". Pouco depois, descobriu a ilha Margarita. Em 1499 Alonso de Ojeda navegou ao longo do mar do Caribe até o lago Maracaibo.
Inicialmente, os espanhóis não tentaram apoderar-se da terra firme, pois a pesca da pérola em algumas ilhas próximas à costa nordeste os atraiu mais. O interesse decaiu com o esgotamento das ostreiras perlíferas, e o impulso colonizador se deslocou então para oeste, em direção a Caracas e Coro. O primeiro estabelecimento permanente espanhol foi Cumaná, fundada em 1523. Durante vários anos, até 1546, se sucederam infrutíferas expedições alemãs pelo interior em busca de pedras preciosas.
Na segunda metade do século XVI, teve início a atividade agrícola, baseada no trabalho escravo. Caracas foi fundada em 1567 e no fim do século havia mais de vinte núcleos de colonização nos Andes venezuelanos e no litoral do mar do Caribe. As planícies e a região do lago Maracaibo foram sendo ocupadas gradualmente nos séculos XVII e XVIII por missões católicas.
O panorama econômico e cultural mudou profundamente no século XVIII. Em 1717 o país deixou de depender da audiência de Santo Domingo para incorporar-se ao vice-reino de Nova Granada, com sede em Bogotá. Em 1725 a Real e Pontifícia Universidade de Caracas começou a promover o ensino. Três anos mais tarde se criou, com o respaldo real, a Companhia Guipuzcoana de Caracas, que detinha o monopólio da venda do cacau à metrópole e das mercadorias espanholas à Venezuela. Sua missão era também reprimir o tráfico de escravos, que tinha como principal centro a ilha de Curaçao, e as incursões estrangeiras ao território venezuelano. Seus interesses contrariavam, no entanto, os dos produtores venezuelanos, que forçaram a dissolução da companhia na década de 1780.


Independência

Depois da fracassada conspiração de Manuel Gual, em Caracas, em 1797, tampouco teve êxito o desembarque de Francisco de Miranda, com uma pequena expedição de patriotas, organizada nos Estados Unidos e financiada pela Inglaterra, em 1806. Depois que a Espanha caiu em poder de Napoleão, os criollos (brancos nascidos na colônia) de Caracas depuseram, em 1810, os representantes espanhóis e estabeleceram uma junta governativa local, com a finalidade oficial de salvaguardar os direitos do rei espanhol Fernando VII, preso na França dois anos antes por Napoleão. Unindo-se aos representantes de outras partes do país, no entanto, a junta governativa declarou a independência em 5 de julho de 1811. Miranda, que retornara à América chamado por Simón Bolívar, assumiu o comando da nova república.
A reação realista foi favorecida pelo terremoto de 1812, que quase só atingiu Caracas e as povoações rebeldes. Os patriotas foram traídos e derrotados em Puerto Cabello. Miranda, que assinara a capitulação e ia embarcar para o Reino Unido, foi detido por Bolívar e enviado preso à Espanha, onde morreria em 1816. Bolívar recebeu salvo-conduto para Curaçao.
No início de 1813, a junta revolucionária nomeou Bolívar comandante das forças venezuelanas. Filho de ricos fazendeiros criollos, era um dos líderes do movimento de independência. Sofreu diversas derrotas em sua luta contra as forças espanholas, mas foi ajudado pela nova República do Haiti e por uma legião estrangeira de soldados britânicos e irlandeses.
Com capital em Bogotá, a República da Grande Colômbia, que reunia Nova Granada e Venezuela, foi proclamada em 17 de dezembro de 1819. Em 24 de junho de 1821, Bolívar derrotou o exército realista na batalha de Carabobo. As últimas forças realistas capitularam em Puerto Cabello, em 9 de outubro de 1823. No ano seguinte, Bolívar marchou em direção ao sul para libertar o Peru e, em 1825, conseguiu dar fim ao domínio espanhol sobre a Bolívia.
Durante sua ausência, contudo, irromperam rivalidades regionais na Grande Colômbia, e o prestígio de Bolívar não foi suficiente para manter o país unido até sua volta. Em 1829, a Venezuela se separou, e o Equador fez o mesmo pouco tempo depois. No ano seguinte, Bolívar morreu perto da cidade colombiana de Santa Marta, sem ter conseguido realizar o sonho de unir a América hispânica.


Oligarquia conservadora

Bolívar havia deixado o general José Antonio Páez como chefe militar civil da Venezuela. Páez logo extrapolou seu poder e deu apoio ao movimento separatista da Grande Colômbia. Em 1831, um congresso constituinte proclamou a independência da Venezuela e elegeu Páez presidente. A constituição, conservadora, criava um estado centralista, restringia o voto aos proprietários de terras e mantinha a escravidão.
O general dominou a vida política do país até 1848.
Foi eleito presidente de 1831 a 1835 e de 1839 a 1844. Seu governo representou para a Venezuela uma fase de estabilidade, na qual se reconstruiu a economia, enfraquecida pelos muitos anos de guerra. Prosperaram então as culturas de cacau e café, base do comércio exterior do país.
Em 1840, Antonio Leocádio Guzmán fundou o Partido Liberal, cuja base social era a burguesia média progressista das cidades, que reivindicava a extensão do direito ao voto e a abolição da escravatura.
Guzmán criou um jornal, El Venezolano, que se converteu em porta-voz das aspirações liberais. A crise econômica que se produziu em meados da década, motivada pela queda dos preços do café e do cacau no mercado internacional, favoreceu o crescimento da oposição aos governos conservadores. Nas eleições presidenciais de 1846, saiu vitorioso o general José Tadeo Monagas, que, embora conservador, buscou o apoio dos liberais contra a maioria conservadora do Congresso. Páez se sublevou, mas foi derrotado e obrigado a exilar-se em 1848. De 1846 a 1858, alternaram-se na presidência os irmãos José Tadeo e José Gregorio Monagas. Os dois estabeleceram um regime ditatorial e populista que limitava a liberdade de ação do Congresso.
As reformas postuladas pelos liberais, em sua maior parte, não saíram do papel: aprovaram-se leis que aboliam a escravidão, estendiam o direito de voto, baniam a pena de morte e limitavam as taxas de juros, que, no entanto, nunca foram implementadas. Em 1857 José Tadeo Monagas tentou impor uma nova constituição ao país, que estendia o mandato presidencial de quatro para seis anos e eliminava todas as restrições à reeleição. Liberais e conservadores se uniram, porém, contra ele e conseguiram que abandonasse o poder em março do ano seguinte


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