SERMÕES DE JOHN WESLEY
(1703 – 1791)

A  REFORMA  DOS  COSTUMES

Pregado perante a sociedade para a reforma dos costumes, no domingo, 30 de janeiro de 1763, na capela de West- Street, Sevendials.
“Quem se levantará comigo contra o maligno?” (Salmo 94.16)
1. EM todos os tempos, os homens que nem temem a Deus, nem respeitam ao homem combinaram e formaram federações, no intuito de levarem avante as obras das trevas. E nisso têm-se mostrado sábios em suas gerações, porque por esse meio mais eficientemente promovem o reino de seu pai, o diabo, o que de outra maneira não poderiam fazer. Por outro lado, os homens que temem a Deus e desejam a felicidade de seus semelhantes, têm, em todas as eras, Julgado necessário unir-se de modo a opor-se às obras das trevas, a difundir o conhecimento de Deus seu Salvador e promover seu reino sobre a terra. Ele próprio, na verdade, os instruiu a fazerem assim. Desde o tempo em que os homens apareceram sobre a terra, Ele os ensinou a unirem-se em seu serviço e fundiu-os num só corpo pelo seu Espírito. Para esse mesmo fim Deus os associou, “para que pudessem destruir as obras do diabo”, primeiro nos que já estavam congregados e, por meio destes, e todos os que se acercassem deles.
2. Este é o objetivo original da Igreja de Cristo. É uma corporação de homens unidos estreitamente para o fim de, primeiro, salvar cada um sua própria alma; depois, presta  auxilio uns aos outros, no operar sua própria salvação; e, finalmente, quanto estiver ao seu alcance, salvar a todos os homens da miséria presente e futura, derribar o reino de Satanás e firmar o reino de Cristo. E este deve ser o continuo empenho e esforço de todo membro de sua Igreja; de modo contrário ele não será digno de ser chamado membro dela, assim como não é membro vivo de Cristo.
3. Conseqüentemente, este deve ser o constante cuidado e esforço dos que se acham unidos nestes reinos, e são comumente chamados – a Igreja da Inglaterra. Acham-se unidos para esse mesmo fim, isto é, para se oporem ao diabo e a todas as suas obras: movendo guerra contra o mundo e a carne, seus constantes e fiéis aliados. Mas, respondem eles, dê fato, às finalidades de sua união? Todos os que se chamam “membros da igreja da Inglaterra” estão cordialmente empenhados na oposição às obras do diabo e combatendo contra o mundo e a carne? Ai! Não podemos dizer isto. Temo que, ao contrário, a maior parte deles sejam o mundo – o povo que não conhece a Deus para qualquer propósito de salvação; dia após dia esses homens estão-se deleitando, em vez de “mortificar a carne, com suas afeições e cobiças”, e fazendo as obras do diabo, que eles deveriam estar especialmente empenhados em destruir.
4. É, portanto, necessário ainda, mesmo neste pais cristão (como nós delicadamente chamamos a Grã-Bretanha), sim, nesta igreja Cristã (se pudéssemos dar este título ao grosso de nossa nação), que alguns se “levantem contra o maligno” e se unam “contra os malfeitores”. Realmente, nunca houve maior necessidade do que há nestes dias, de que “os que temem a Deus falem. freqüentemente juntos” sobre este mesmo assunto, de modo que “levantem um padrão contra a iniqüidade”; que ora inunda a terra. Há motivos de sobra para que todos os servos de Deus se unam contra as obras do diabo, unindo os corações, os conselhos e os esforços para se arregimentarem em torno de Deus, para oporem diques, tanto quanto deles dependa, a esses “dilúvios de Impiedade”.
5. Para tal fim, umas poucas pessoas, em Londres, ao findar o século passado, uniram-se, e, à maneira do tempo, receberam o nome de – Sociedade para a Reforma dos Costumes. Incrível soma de bem foi feito por essa Sociedade, durante perto de quarenta anos. Mas, depois, tendo a maior parte dos membros fundadores ido a receber sua recompensa, os que lhes sucederam se tornaram fracos no espírito ê abandonaram o trabalho; de modo que, poucos anos faz, a Sociedade se extinguiu, sem que qualquer remanescente permanecesse no reino.
6. É da mesma natureza a Sociedade que ultimamente se formou. Tenho em vista mostrar, primeiro, a natureza de seu objetivo e os passos que para isso têm sido dados; em segundo lugar, mostrarei a excelência dela, examinando as várias objeções em contrário; em terceiro lugar, mostrarei quais devem ser os homens que se entreguem a tal desígnio; e, em quarto lugar, com que espírito e de que maneira devem eles proceder, na consecução daqueles objetivos. Concluirei com uma aplicação dirigida a eles e a todos os que temem a Deus.


I


1. Mostrarei, em primeiro lugar, a natureza de seu desígnio e os passos que para isso têm dado. Foi no dia do Senhor, em agosto de 1757, que, num pequeno grupo que se formara para oração e conversação
religiosa, se fez menção da grande e abusiva profanação daquele dia sagrado, por parte de pessoas comprando e vendendo, mantendo o comércio aberto, bebendo pelas tavernas, permanecendo de pé ou assentadas nas ruas, nas estradas ou nos campos, vendendo suas mercadorias como nos dias comuns; especialmente em Moorfields, que então se enchia desses transgressores todos os domingos da manhã à noite. Considerou-se que um meio devia ser empregado para remover essas ofensas – e resolveu-se que seis dentre eles fossem, pela manhã, à procura de Sir John Fielding, para pedir instruções. Eles assim o fizeram: Sir Fielding aprovou a Idéia e lhes recomendou o meio de pô-la em execução.
2. Primeiro enviaram petições a S. Excia. o Lord Maior e ao Tribunal de Aldermen; às justiças com sede em Hicks Hall e às de Westminster; e receberam de todas essas venerandas cortes o maior encorajamento no sentido de prosseguirem na obra.
3. Em seguida julgou-se conveniente manifestar semelhante intenção a muitas pessoas de posição eminente e ao corpo de clérigos, assim como aos ministros de outras denominações, pertencentes às várias igrejas e capelas nas cidades de Londres e Westminster e seus arredores; e os fundadores da Sociedade tiveram a satisfação de encontrar o mais afetuoso acolhimento e geral aprovação por parte deles.
4. Então imprimiram e distribuíram, à sua própria  custa, vários milhares de livros de instrução às autoridades policiais e a outros oficiais da municipalidade, explicando e enaltecendo seus diversos deveres: e, para encarar de frente, tanto quanto possível, a necessidade de proceder-se à imediata execução das leis, os fundadores igualmente imprimiram e divulgaram, em todos os recantos da cidade, no intuito de persuadir os transgressores acerca da quebra do domingo, extratos de atos do Parlamento contra esse abuso, dando aviso aos culpados.
5. Preparado o caminho por meio daquelas medidas, foi no começo do ano de 1758 que, depois  de reiterados avisos, que eram com freqüência desprezados, foram dadas informações aos magistrados contra pessoas que profanavam o dia do Senhor. Por esse meio eles primeiro limparam as ruas e os campos dos transgressores notórios que, sem qualquer respeito a Deus ou ao rei, vendiam suas mercadorias da manhã à noite. Em seguida passaram a uma empresa mais difícil: evitar a bebedeira no dia do Senhor, evitar que os homens dissipassem em tavernas o tempo que deveria ser votado ao culto a Deus. Neste ponto os fundadores se expuseram a abundantes censuras, insultos e ofensas de toda espécie. Seus oponentes foram não só os beberrões e os que os envenenavam, os taverneiros, mas alguns homens ricos e considerados, principalmente os proprietários daquelas tascas parte dos que lhes forneciam bebidas e, em geral, todos os que auferiam lucros à custa de seus pecados. Alguns desses eram seres humanos não somente de recursos, mas homens de autoridade; e até, em mais de um caso, aconteceu que justamente perante eles é que os transgressores foram apresentados. O tratamento que dispensaram aos denunciantes naturalmente foi de molde a incitar “essas bestas do povo” a lhes seguirem o exemplo e a encarar como indivíduos indignos de viver sobre a terra ás que assim.  promoviam o cumprimento da lei. Daí o não terem escrúpulos de não apenas tratá-los com a mais baixa linguagem, não apenas lançar-lhes lama, pedras ou o que quer que fosse que lhes viesse às mãos, mas de muitas vezes os espancar sem piedade, derribando-os sobre as calçadas
ou ao longo das sarjetas. E, se os não matavam, não era por falta de vontade; mas os freios eles os tomaram nos dentes.
6. Tendo, entretanto, recebido auxílio de Deus, os membros da Sociedade conseguiram impedir que os padeiros gastassem, do mesmo modo, tão grande parte do dia do Senhor no exercício dos misteres de sua profissão. Muitos desses foram mais nobres do que os estalajadeiros. Longe de se ressentirem com a medida, ou de as encararem como afronta, diversos, que tinham sido levados pela torrente do costume a agir em desacordo com a própria consciência, agora sinceramente lhes agradeciam esse serviço e reconheceram-no como real beneficência.
7. Purificadas as ruas, os campos e as tavernas dos violadores do domingo, eles se voltaram para outras espécies de ofensores, tão nocivos à sociedade como os outros: os jogadores de várias qualidades. Alguns eram das classes mais baixas e vis, vulgarmente chamados “jogadores”, que faziam da exploração dos jovens e dos inexperientes o seu comércio, despojando-os de todo seu dinheiro. Depois de os terem reduzido à miséria, freqüentemente lhes ensinavam o mesmo mistério de iniqüidade. Muitos desses antros eles os destruíram, levando não poucos dentre os jogadores a ganharem honestamente o seu pão, pelo suor de seu rosto e pela indústria de suas mãos.
8. Crescendo em número e em força, os membros da Sociedade estenderam suas vistas e começaram não somente a reprimir o juramento profano, mas a remover das ruas outra ofensa pública e escândalo ao nome cristão – a prostituição vulgar. Muitas das pessoas que a isso se entregavam foram detidas em meio de sua carreira de audaciosa iniqüidade. E, no intuito de descerem até a raiz da enfermidade, denunciaram multas das casas que mantinham as decaídas, processaram-nas de acordo com a lei e suprimiram-nas totalmente. E mesmo algumas das pobres, desoladas mulheres, embora decaídas até “O mais baixo nível da humana infâmia”, reconheceram a graciosa providência de Deus e romperam com seus pecados mediante perdurável arrependimento. Muitas foram colocadas em outros lugares e outras foram enviadas ao Asilo Madalena.
9. Se me for permitida pequena digressão, direi: quem pode suficientemente admirar a sabedoria da Divina Providência, no dispor os tempos e as épocas, de modo que uma ocorrência corresponda à outra? Por exemplo: justamente na ocasião em que muitas daquelas pobres criaturas, detendo-se na carreira do pecado, concebiam o
desejo de levar vida melhor, como a responder à triste pergunta: “Mas, se eu deixar o caminho em que estou que farei para viver? Não sou senhora de ofício nenhum e não tenha amigos que me possam receber”... Dizia eu: justamente nesse tempo Deus preparou o Asilo Madalena. Ali as que não tinham ofício, nem amigos que as recebessem, eram acolhidas com toda a ternura; sim, elas podiam viver, e com conforto, providas como estavam de todas as coisas necessárias “à vida e à piedade”.
10. Voltando atrás. O número de pessoas levadas à justiça,de agosto de 1757 a agosto de 1762, foi de: 9.596 Dessa época até o presente Por jogos proibidos e juramentos profanos: 40
Por quebra do domingo: 400 Mulheres decaídas e mantenedores de casas de tolerância: 550 Por expor à venda figuras obscenas: 2 Total geral: 10.588
11. Na admissão de membros da Sociedade nenhuma atenção se dá a qualquer seita particular ou a partido. Quem quer que seja julgado, após investigação, ser homem reto, será prontamente admitido. E ninguém que tenha intuitos egoísticos ou pecuniários nela permanecerá por muito tempo, não só porque ele nada pode ganhar por meio da Sociedade, mas começará prontamente a gastar, uma vez que terá de contribuir, tão logo se torne associado. O clamor costumeiro é, na verdade, este: “Esses são, todos eles whitefieldistas”. É um grande erro. Cerca de vinte dos contribuintes habituais mantêm, todos eles, relações com Whitefield; cerca de cinqüenta estão relacionados com Wesley; cerca de vinte, que são da Igreja Estabelecida, não têm ligação com nenhum dos dois; e cerca de setenta são dissidentes, o que perfaz o total de cento e sessenta. Há, realmente, muitos mais que auxiliam a obra por meio de contribuições eventuais.


II


1. Esses foram os passos dados na consecução daquele objetivo. Devo mostrar, em segundo lugar, a excelência da Sociedade, não obstante as objeções que se têm levantado contra ela. Ora, tal excelência ressalta de diversas considerações. Primeiro, mover campanha aberta contra toda a Impiedade e Injustiça que cobrem a terra como num dilúvio, é um dos meios mais nobres de confessar à Cristo em face de seus inimigos. Isto é dar glória a Deus, e mostrar à humanidade que, ainda nestes tempos calamitosos,
“Embora poucos, há os que preferem a fé E a piedade à vista de Deus”. E que coisa mais excelente há do que dar a Deus a honra que é devida a seu nome? proclamar, por uma prova mais forte do que as palavras, mesmo pelo sofrimento e correndo todos os riscos: “Verdadeiramente há uma recompensa para os justos; indubitavelmente há um Deus que julga a terra”?
2. Quão excelente é o desígnio de evitar em qualquer medida, a afronta feita a seu glorioso nome, a injúria que se faz à sua autoridade e o escândalo lançado sobre nossa santa religião pelas grosseiras, flagrantes transgressões praticadas pelos que são ainda chamados pelo nome de Cristo! Reprimir, de algum modo, a torrente de vícios; combater as ondas de impiedade, remover, em qualquer sentido, as ocasiões de blasfemar o poderoso nome por que somos chamados – eis uma das mais nobres iniciativas que pode possivelmente conceber o coração do ser humano.
3. E, como semelhante desígnio evidentemente tende para a “glória de Deus nas alturas”, assim não menos manifesto é que ele conduz ao estabelecimento da “paz sobre a terra”. Porque, como todo pecado diretamente tende tanto a destruir nossa paz com Deus como a sustentar com Ele aberto dissídio, a banir a paz de nosso espírito e colocar a espada de cada homem contra seu próximo – assim, o que previne ou remove o pecado deve, em medida igual, promover a paz, tanto a paz em nossa própria alma, como a paz com Deus e a paz de uns para com outros. Tais são os genuínos frutos desse empreendimento, mesmo no mundo presente. Mas, quem poderia limitar nossas vistas aos estreitos limites do tempo e do espaço? Antes elas os transpõem rumo à eternidade. E que frutos podemos achar ali? Fale o apóstolo: “Meus irmãos, se algum de vós se desviar da verdade e algum outro o converter”, não a esta ou àquela opinião, mas a Deus, “sabei que aquele que converter um pecador do erro do seu caminho, salvará uma alma da morte e cobrirá uma multidão de pecados” (Tg 5.19-20).
4. Os benefícios desse empreendimento não visam, entretanto, somente os indivíduos, sejam os que induzem outros ao pecado, ou os que estão sujeitos a ser aliciados e destruídos por eles; mas a toda a comunidade a que pertencemos. Porque, não é uma segura observação que “a justiça exalta as nações”? E não é igualmente certo, de outro lado, que “o pecado é o opróbrio dos povos”, sim, e traz a maldição de Deus sobre eles? Na proporção em que se promove a justiça de toda espécie, avança, pois, o progresso nacional. Na medida em que o pecado, principalmente o pecado ostensivo, Se reprime, a maldição e o opróbrio se afastam de nós. Quem quer, pois, que trabalhe nesse sentido, é um benfeitor de todos; os tais são verdadeiros amigos de seu rei e de sua nação. E na mesma proporção em que seu desígnio se traduza em fatos, não pode haver dúvida de que Deus dará prosperidade ao pais, cumprindo sua palavra fiel: “Honrarei aos que me honrarem”.
5. Mas, objeta-se: “Embora seja excelente esse desígnio, ele não te compete. Pois não há pessoas a quem a repressão daquelas ofensas e a punição dos transgressores oficialmente pertencem? Não há oficiais de policia e outros funcionários municipais, que estão ligados por juramento a essa mesma tarefa?” Há. Os oficiais de polícia e os fabriqueiros, em particular, são obrigados, por solene juramento, a dar parte dos profanadores do dia do Senhor e de todos os outros pecadores escandalosos. Mas, se eles não fazem isto – se, não obstante seus juramentos, não se preocupam com o assunto, cabe a todos os que temem a Deus, que amam a humanidade e que desejam o bem de seu rei e de seu país, levar avante sua tarefa, como mesmíssimo vigor que teriam se não existissem autoridades, pois que uma só coisa é não existirem estas e, havendo-as, não cumprirem seu dever.
6. “Mas isto é apenas um pretexto: seu real objetivo é angariar dinheiro em troca de informações.” Assim tem-se afirmado freqüente e desabusadamente, mas sem a mínima sombra de verdade. O contrário pode ser provado por um milhar de exemplos: nenhum membro da Sociedade aceita qualquer parte do dinheiro que é por lei atribuído ao denunciante. Nunca o fizeram desde o começo. Nem nenhum deles jamais recebeu qualquer coisa para retirar sua denúncia. Este é outro erro, senão escandaloso ultraje, para o qual não há o menor fundamento.
7. “O desígnio é, porém, impraticável. O vício se ergueu a tal altura, que é impossível suprimi-lo, especialmente por tais meios; pois, que pode um punhado de gente pobre fazer em oposição a todo o mundo?” “Aos homens isto é impossível, mas não a Deus.” E eles não confiam em si mesmos, mas em Deus. Embora os patronos do vício sejam tão fortes, para Ele não são mais do que gafanhotos. E todos os meios lhe são iguais: para Deus não há diferença em “livrar por muitos ou por poucos”. O pequeno número, portanto, dos que estão ao lado do Senhor, não é nada, nem o grande número dos que estão contra Ele. Deus fará o que lhe aprouver – e “não há conselho, nem força contra o Senhor”.
8. “Se o fim que almejais é, realmente, reformar os pecadores, escolhestes os meios piores. É a Palavra de Deus que deve fazer isto, e não as leis humanas; tal obra pertence aos ministros, e não aos magistrados: logo, o apelo a estes somente pode produzir uma reforma exterior, mas não traz mudança de coração.”
É verdade que a Palavra de Deus é o principal meio ordinário pelo qual Ele transforma tanto o coração como a vida dos ho-mens; e isto Deus o faz principalmente pelos ministros do Evangelho. Mas é igualmente verdade que o magistrado é “ministro de Deus”; e que ele foi estabelecido por Deus para ser “o terror dos malfeitores”, nestes executando as leis humanas. Se isto não muda os corações, o evitar, todavia, o pecado exterior já é um valioso triunfo alcançado. Haverá menor desonra feita a Deus; menor escândalo dado à nossa santa religião; menor maldição e opróbrio sobre nosso país; menos tentação armada no caminho dos outros; sim, e menos ira entesourada pelos próprios pecadores para o dia da ira.
9. “Não; mas ainda há mais: tais medidas tornam a muitos deles hipócritas, pretendendo ser o que não são outros, por serem expostos à vergonha e compelidos a despesas, tornam-se impudentes e desesperados na maldade; de modo que, na realidade, nenhum deles se torna melhor, se porventura não vem a ser pior do que o era dantes.” Isto constitui um erro a mais. Porque, (1) Onde estão esses hipócritas? Não conhecemos ninguém que pretenda ser o que não é. (2) Expor à vergonha os transgressores obstinados e obrigá-los a despesas, não os torna desesperados na ofensa, mas temerosos de ofender. (3) Alguns deles, muito longe de se tornarem piores são substancialmente melhores; todo o teor de sua vida mudou-se. Sim, (4) Alguns estão interiormente mudados, até mesmo “das trevas para a luz e do poder de Satanás para o poder de Deus”.
10. “Muitos, porém, não estão convencidos de que comprar e vender no dia do Senhor seja pecado.”
Se não estão convencidos, devem estar; é mais do que tempo de que o estejam. O assunto é tão claro quanto pode sê-lo. Porque, se uma aberta e voluntária quebra, tanto da lei de Deus como da lei do país, não é pecado, que é, por favor? Se tal violação, tanto da lei humana como da lei divina, não for punida porque um homem não está convencido de que seja pecado, chegou-se ao fim de toda a execução da justiça, e todos os seres humanos podem viver como quiserem!
11. “Mas primeiro devem ser tentados meios suasórios”. Devem; e de fato o são. Uma suave admoestação é feita a todo transgressor, antes que contra ele se ponha a lei em execução; nem ninguém é processado sem que tenha expresso aviso de que isto se fará a não ser que ele evite o processo, removendo a causa que lhe dá fundamento. Em qualquer caso, o método suasório é usado segundo a natureza do caso o admita, e os meios mais severos não são aplicados, a não ser que se tornem absolutamente necessários ao fim em vista.
12. “Bem; mas depois de todo esse movimento em prol da reforma, que bem real tem sido feito?” Bem indizível; muito mais abundante do que alguém poderia esperar em tão curto prazo, considerando-se o pequeno número dos instrumentos e as dificuldades que eles têm a vencer. Muitos males já têm sido evitados e muitos removidos. Muitos pecadores foram exteriormente reformados; alguns foram mudados interiormente. A honra daquele cujo nome trazemos, tão abertamente ofendida, tem-se abertamente defendido. E não é fácil determinar quantas e quão enormes bênçãos, mesmo desta pequena campanha empreendida por Deus e sua causa contra seus ousados inimigos, já se derramaram sobre toda a nação. Em conjunto, pois, após todas as objeções que se possam levantar, os homens razoáveis devem concluir que empreendimento mais excelente dificilmente poderia jamais entrar no coração do homem.


III


1. Mas que espécie de homens devem ser os que se alistem nesse empreendimento? Alguns podem imaginar que qualquer que deseje prestar auxílio nesse trabalho deva ser prontamente admitido; e que quanto maior for o número de membros, maior será sua eficiência. Mas isto não é verdade de modo nenhum: os fatos inegavelmente provam o contrário. Embora a primitiva Sociedade para a Reforma dos Costumes fosse composta somente de membros escolhidos; embora não fossem muitos, nem ricos, nem poderosos – romperam através de toda oposição e foram eminentemente bem sucedidos em todos os aspectos do seu empreendimento. Quando, porém, certo número de homens menos cuidadosamente selecionados foram acolhidos na Sociedade, ela se tornou cada vez menos proveitosa, até que, por degraus insensíveis, reduziu-se a nada.
2. O número de membros não vale, portanto, mais do que as riquezas e a proeminência. Esta é uma obra de Deus. Deve ser empreendida em nome de Deus e por sua causa. Segue-se que os homens que nem amam, nem temem a Deus, não têm parte, riem sorte nesse ministério. “Por que tomaste meu pacto em tua boca?” – pode Deus dizer a cada um deles – “enquanto que tu”, tu mesmo, “detestas o seres reformado e repeliste de ti minhas palavras?” Quem quer, pois, que viva em algum pecado notório, não está apto a empreender a reforma dos pecadores; mais especialmente se ele é culpado, em qualquer caso, ou em último grau, de profanar o nome de Deus; de comprar, vender ou fazer qualquer outra desnecessária no dia do Senhor; ou transgredindo no tocante a qualquer outra das matérias que esta Sociedade especialmente visa reformar. Não; que ninguém que tenha necessidade dessa reforma
se presuma em alistar-se em tal empresa. Primeiro tire ele “a trave de seu olho”; seja ele primeiro irrepreensível em tudo.
3. Não que isto baste; todo que se empenhe nessa obra deve ser mais do que um homem inofensivo. Deve ser homem de fé, tendo, no mínimo, tal medida daquela “evidência das coisas invisíveis”, que não ambicione “as coisas que se vêem, que são temporais, mas as invisíveis que são eternas”; uma fé que produza firme temor de Deus, com a perdurável resolução de, pela sua graça, abster-se de tudo que Ele proibiu e fazer tudo que Ele mandou. Ser-Ihe-á mais especialmente necessário aquele aspecto particular da fé – a confiança em Deus. É essa fé que “transporta montanhas”; que “apaga a violência do fogo”; que rompe através de toda oposição e habilita “0 homem a resistir e “perseguir mil”, sabendo em quem sua fortaleza repousa e, conquanto tenha “a sentença de morte em si mesmo, confia naquele que o levanta da morte”.
4. Aquele que tem fé e confiança em Deus será, conseqüentemente, homem de coragem. E esta é absolutamente necessária a todo homem para que possa alistar-se nesse empreendimento; porque muitas coisas ocorrerão no desdobramento da campanha que são terríveis à natureza; na verdade tão terríveis, que todo aquele que “se aconselha com a carne e o sangue” sentirá pavor de afrontá-las. Aqui, pois, a verdadeira coragem encontra seu próprio lugar e é necessária na mais alta medida. Só aquela fé pode ser suficiente. O crente pode dizer: “Não temo repulsa; a nenhum perigo temo,
Nem o submeter-me à provação. Jesus está perto.”
5. A paciência de perto se alia à coragem; uma encara os males do futuro; outra, os do presente. E quem quer que se uma aos que levam avante um empreendimento daquela natureza, grande ocasião terá para isso. Porque, apesar de toda sua inculpabilidade, ele se encontrará exatamente na situação de. Ismael: “sua mão contra todo homem e a mão de todos os homens contra si”. E não há maravilha nisto: se for verdade que “todo que vive piamente sofrerá perseguição”, quão eminentemente isto se cumprirá naqueles que, não contentes de viverem piamente, compelem os ímpios a fazerem outro tanto, ou, pelo menos, a se absterem de notória impiedade! Isto não é declarar guerra contra o mundo todo, desafiando a todos os filhos do diabo? E o próprio Satanás, “o príncipe deste mundo e governador das trevas” deste mundo, não empregará toda sua subtileza e toda sua força em defesa de seu reino vacilante? Quem pode esperar que o leão rugidor se submeta docilmente ao arrebatamento da presa dentre suas fauces? “Tendes”, portanto, “necessidade de paciência; para que, depois de terdes feito a vontade de Deus, possais receber a promessa.”
6. E tendes necessidade de firmeza, para que possais “guardar” esta profissão de vossa fé semvariação”. Isto também se deve encontrar em todo que se una a essa Sociedade, que não é tarefa para um homem de “espírito doublé”, para o que “é inconstante em seus caminhos”. Aquele que é como uma cana agitada pelo vento não é apto para essa milícia, que exige firme propósito de alma, constante determinação da vontade. Aquele a quem falte isso; pode pôr sua mão no arado, mas bem depressa “olhará para trás”. Pode, na verdade, “suportar por algum tempo; mas quando a perseguição ou a tribulação”, tormenta pública ou particular, se levantar, em razão do trabalho, “imediatamente se escandalizará”.
7. Em verdade, é duro perseverar o homem numa obra tão desagradável, a não ser que o amor sobrepuje tanto a pena como o temor. É, portanto, da mais alta conveniência que todos os que ingressem na Sociedade tenham “o amor de Deus derramado em seus corações”, para que sejam todos capazes de dizer: “Amamo-lo, porque Ele primeiro nos amou”. A presença daquele a quem sua alma vota amor tornará seu trabalho eficaz. Podem então dizer, não como no deserto de uma imaginação ardente, mas com a mais profunda veracidade e reflexão: “Conversando contigo, esqueço Todo tempo, e fadiga, e cuidado:
O trabalho e repouso e doce é a dor, Se tu, meu Deus, ali estás!”
8. O que acrescenta doçura ainda maior ao trabalho e à dor é o amor cristão a nosso próximo. Quando os homens “amam a seu próximo”, isto é, a toda alma humana, “como a si mesmos”, como à sua, própria alma; quando “o amor de Cristo” os “constrange” a amar uns aos outros “como Ele nos amou”; quando, como Ele “provou a morte por todos”, assim estejam prontos “a dar a sua vida” por “seus irmãos” (incluindo-se neste número todos os homens, toda alma pela qual Cristo morreu) – que perspectiva de perigo será então capaz de os desviar de seu “trabalho de amor?” Que sofrimento não estarão prontos a suportar para salvar uma alma dos tormentos eternos? Que trabalho longo, desapontamento, dor, vencerá sua firme determinação? Não querem eles ser “Contra todos os reveses fortalecidos, não se cansando
Com afanoso dia, nem com a noite insone?” Assim, o amor tanto “espera” como “suporta todas as coisas”; assim, a “caridade jamais se extinguirá”.
9. Ainda por outra razão o amor é necessário a todos o membros dessa Sociedade: porque “ele não se ensoberbece” produz não somente coragem e paciência, mas também humildade. Oh! Quão necessária é a humildade a todos os que se dedicam a essa obra! Que pode ser de maior importância do que serem eles pequeninos, apagados, baixos,vis a seus próprios olhos! De outro modo poderiam pensar que são alguma coisa, atribuiriam a si mesmos alguma coisa, adotariam alguma coisa do espírito farisaico, “confiando em si mesmos serem justos e desprezando os outros” – e nada poderia mais diretamente tender para a demolição de toda iniciativa. Porque então eles não teriam de contender somente com o mundo todo, mas também com o próprio Deus, uma vez que Ele “resiste aos soberbos, mas dá graça” apenas “aos humildes”. Todo membro dessa Sociedade deve, portanto, estar profundamente cônscio de sua própria loucura, fraqueza, Incapacidade, descansando continuamente de toda sua alma, naquele que é o único que possui sabedoria e fortaleza com a indizível convicção de que “o auxilio que é dado sobre a terra Deus é quem o concede”; e que é somente Deus que “opera em nós tanto o querer como o perfazer, segundo sua boa vontade”.
10. Mais um ponto deve ter indelevelmente gravado em seu coração, quem quer que se aliste nessa Sociedade – quero dizer: deve estar convencido de que “a ira do homem não cumpre a justiça de Deus”. Aprenda ele, portanto, com Aquele que é manso e humilde – e permaneça em doçura e humildade, “com toda simplicidade e mansidão”, ande de maneira “digna da vocação segundo a qual é chamado”. Seja “pacífico para com todos os homens”,  bons ou maus, por amor de si mesmo, por amor deles, por amor de Cristo. Alguém é “ignorante e está fora do caminho”? Tenha compaixão do tal. Os homens se opõem à Palavra e à obra de Deus, e até se põem em combate cerrado contra elas? Assim, em medida muito maior, ele precisa “em mansidão instruir àqueles que desse modo se lhe opõem”, a ver se por felicidade eles podem “escapar aos laços do diabo” e não mais serem “levados cativos à sua vontade”.


IV


1. Das qualificações dos que são próprios para alistar-se num empreendimento de tal natureza, passo a mostrar, em quarto lugar, com que espírito e de que maneira essa empresa deve ser conduzida. Primeiro, com que espírito. Ora, isto inicialmente se refere ao motivo que se deve manter em cada passo dado; porque se, em qualquer tempo, “a luz que há em ti são trevas, quão densas serão essas trevas!” Mas, “se teus olhos forem simples, todo o teu corpo será luminoso”, Isto deve ser, portanto, recordado continuamente e levado em conta em toda palavra e ação. Coisa alguma se deve falar ou fazer, seja grande ou pequena, tendo em vista qualquer vantagem temporal; nada com as vistas voltadas para o favor ou a estima, o amor ou o elogio dos homens, Mas a intenção – os olhos da mente – deve estar sempre fixa na glória de Deus e no bem dos homens.
2. Mas o espírito com que cada coisa se deve fazer interessa tanto à disposição como ao motivo. E isto não é outra coisa senão o que se descreveu acima. Porque a mesma coragem, paciência e firmeza que qualificam o homem para o trabalho, devem ser exerci das no terreno da Sociedade. Acima de tudo, que ele “tome o escudo da fé, com que pode apagar um milhar de dardos inflamados.” Exercite toda a fé que Deus lhe haja concedido, em cada “hora de provação. E que todas as suas obras sejam feitas em amor; que este jamais se aparte dele, Nem devem as muitas águas apagar esse amor, nem os dilúvios de ingratidão devem submergi-lo. Esteja no trabalhador, do mesmo modo, aquele espírito suave que houve também em Cristo Jesus; sim, e seja ele “revestido de humildade” tal, que encha o coração e lhe adorne todo o exterior. Ao mesmo tempo, mostre um “sentimento de misericórdia, brandura, longanimidade”, evitando a mínima aparência de malicia, amargura, ira ou ressentimento; sabendo que nossa vocação não é a de sermos “vencidos pelo mal, mas a de vencermos o mal com o bem”, Para conservar esse humilde, terno amor, é necessário fazer todas as coisas com recolhimento de espírito, vigiando contra toda
precipitação e descuido, contra o orgulho, a ira ou a cólera, Mas isso não se pode conseguir de outro modo a não ser pela “perseverança na oração”, quer antes e depois de entrar no serviço, quer durante toda a ação; tudo fazendo no espírito de sacrifício, de modoa oferecer tudo a Deus através do Filho de seu amor.
3. Quanto à maneira exterior de ação, a regra geral é esta: seja ela expressiva de seu caráter interior. Mas, para particularizar: guarde-se todo homem de “fazer o mal para que venha o bem”. Assim, “abandonando toda mentira, fale o homem a verdade a seu próximo”. Não use de fraude ou engano, nem para reprimir, nem para punir a homem algum; más, “em simplicidade e piedosa sinceridade, recomende-se à consciência dos homens à vista de Deus”, É provável que, pela tua adesão àquelas regras, menor seja o número de transgressores a serem condenados, mas as bênçãos de Deus muito mais abundantemente acompanharão a todo o teu empreendimento.
4. A inocência se junte, porém, a prudência, assim propriamente chamada: não aquilo que procede do inferno e que o mundo chama de prudência, não sendo mais do que mera astúcia, destreza, dissimulação; mas aquela “sabedoria do alto”, que nosso Senhor especialmente recomenda a todos que pretendam promover seu reino sobre a terra: “Sede prudentes como as serpentes”, embora também sejais “simples como as pombas”. Esta sabedoria vos instruirá no modo de enunciar vossas palavras e de apresentar-vos às pessoas com quem tiverdes de tratar, quanto ao tempo, ao lugar e a todas as demais circunstâncias. Ela vos ensinará a suprimir todas as ocasiões de ofensa, mesmo no tratocom os que buscam tais ocasiões, e a fazer as coisas da natureza mais ofensiva do modo menos ofensivo que seja possível.
5. Vossa maneira de falar, principalmente aos transgressores, deve ser, em todos os tempos,
profundamente séria (para que não lhes pareça insultante ou vangloriosa), antes inclinando-se à tristeza; mostrando vosso pesar por aquilo que fazem e vossa simpatia em razão do que sofrem. Sejam vosso a.r e tom de voz, assim como as palavras, sem paixão, calmas e doces; sim, onde isto não possa parecer dissimulação de bondade e de fraternidade, Em alguns casos, em que isto provavelmente possa ser tomado em sua real significação, podeis exteriorizar a boa vontade que nutris para com eles; mas ao mesmo tempo, (para que não se possa pensar que tal atitude proceda do temor Ou de qualquer disposição má), professando vossa intrepidez e inflexível resolução de vos opordes ao vicio e reprimi-lo nas máximas proporções.


V


1. Resta somente fazer algumas aplicações do que se tem dito, dirigidas, em parte, aos que já se acham alistados nesta obra e, em parte, a todos os que temem a Deus – e em especial àqueles que tanto o amam como o temem. Em relação a vós, que já estais alistados nesta obra, o primeiro conselho que vos pretendo dar é que considereis calma e profundamente a natureza de vosso empreendimento. Conhecer aquilo a que vos apegais; relacionar-vos intensamente com o que tendes em mão; considerar as objeções que se fazem à vossa empresa em conjunto; e, antes que avanceis, certificar-vos de que todas aquelas dúvidas não têm nenhum peso real: então pode todo homem agir segundo esteja plenamente persuadido em seu próprio espírito.
2. Aconselho-vos, em segundo lugar, a que não vos apresseis em aumentar vosso número: e, em adição a isto, não considereis a riqueza, a posição ou qualquer outra circunstância exterior; considerai somente as qualificações acima apontadas. Inquiri diligentemente se a pessoa proposta é de procedimento irrepreensível e se é homem de fé, coragem, paciência, firmeza; se ama a Deus e aos homens. Se assim for, ele aumentará vossa eficiência, assim como vosso número; se não for, vós perdereis mais com a aquisição dele do que ganhareis; porque estareis desagradando a Deus. E não vos entristeçais com excluir de vosso meio alguém que não corresponda ao caráter precedentemente esboçado. Diminuindo, assim, vosso número, aumentareis vossa força: sereis “vasos úteis para o uso do Mestre”.
3. Aconselhar-vos-ei, em terceiro lugar, a que observeis estritamente o motivo pelo qual em qualquer tempo falais ou agis. Guardai-vos de que vossa intenção não se misture a qualquer atenção dada ao proveito ou à satisfação pessoal. Tudo quanto fizerdes, “fazei-o ao Senhor”, como servos de Cristo. Não ambicionais o agradar-vos a vós mesmos em qualquer ponto, mas agradai Aquele a quem pertenceis e a quem servis. Sejam simples os vossos olhos do começo ao fim; contemplai somente a Deus, em qualquer palavra ou obra.
4. Aconselho-vos, em quarto lugar, a que façais tudo com disposição correta; com humildade e mansidão, com paciência e doçura dignas do Evangelho de Cristo. Dai cada passo confiando em Deus e no espírito mais terno e amante de que fordes capazes. Entretanto, vigiai sempre contra toda veemência e impetuosidade de espírito; e oral sempre, com todo fervor e perseverança, para que vossa fé não desfaleça. E que coisa alguma interrompa aquele espírito de sacrifício que fazeis de tudo quanto tendes e de tudo quanto sois, de tudo que sofreis e realizais, paraque tudo constitua uma oferenda de cheiro suave à vista de Deus, através de Cristo Jesus       

 John Wesley

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